VICTOR BALTIMOR.
Antunes respirou fundo e começou a me explicar o porquê da cadeira de rodas.
— Seu corpo ainda não tem força suficiente para sustentar seu peso. Você precisará de apoio até recuperar a musculatura e a capacidade respiratória.
Minha irritação subiu imediatamente.
— Nem pensar. Não vou ficar sentado numa cadeira de rodas.
Thomas cruzou seus braços ao lado da cama e falou:
— Victor…
— Eu não vou usar uma cadeira de rodas — declarei, interrompendo-o.
Antunes permaneceu completamente calmo.
— Então ficará aqui. Não terá mais alta.
Franzi o cenho.
— Como é? — perguntei, não acreditando na sua ousadia.
— Se você não aceitar os termos do tratamento, eu o mantenho internado até que se recupere completamente. — Aquele infeliz estava mesmo me chantageando?
Respirei fundo, tentando controlar minha raiva. Infelizmente, na minha atual situação, Antunes estava no controle e poderia me manter aqui. Tenho que delegar, se quero me ver livre desse hospital.
— Quanto tempo isso levaria? — Perguntei, me controlando. Ele deu de ombros.
— Um ou dois meses, ou talvez mais. Não posso dizer ao certo.
Arregalei os olhos.
— Um ou dois meses? — Questionei, indignado.
— Exatamente.
Fiquei alguns segundos em silêncio, imaginando passar mais um dia naquele hospital. Bufei irritado e derrotado. Eu não tenho escolha, terei que me submeter, dessa vez.
— Está bem. Eu aceito.
Antunes levantou uma sobrancelha.
— Aceita? — perguntou, surpreso.
— Sim. Mas só porque eu não quero mais ver a sua cara.
Thomas segurou uma risada. Mentalmente, eu pensava: de onde esse infeliz tirou coragem para falar comigo assim? Eu deveria demitir esse folgado.
Quando tudo já tinha sido dito, Antunes saiu do quarto.
Os preparativos para minha alta começaram logo depois. Em poucas horas, eu já estava sendo levado para fora daquele hospital. Nunca pensei que ver aquelas portas automáticas se abrindo pudesse ser tão satisfatório.
Fomos direto para o aeroporto. Por causa da insuficiência respiratória, terei que usar máscara de oxigênio durante o voo. Uma equipe médica do hospital me acompanharia no avião, e outra equipe estaria esperando em Toronto para me levar até em casa.
Minha mãe e Thomas estiveram ao meu lado o tempo todo. A única coisa que achei estranha foi a ausência de Pablo, ele não apareceu enquanto eu estava no hospital. Ele era meu assistente, deveria estar aqui.
Eu olhava pela janela, observando a cidade. O percurso foi rápido. Quando finalmente chegamos à mansão, senti um alívio profundo. Minha casa, meu refúgio.
O veículo parou. Thomas abriu a porta e, com a ajuda dos enfermeiros, fui retirado do veículo.
Eu odiava aquilo, ser carregado. Parecia que eu era um inválido.
Naquele momento, uma memória surgiu de repente. Uma mulher reclamando comigo. Dizendo poder andar sozinha. Que não era uma inválida.
Minha cabeça doeu imediatamente. Uma pontada forte. Fiquei um pouco tonto. Se estivesse em pé, teria caído.
— Victor… — chamou minha mãe, preocupada. — Você está bem?
Passei a mão pela testa.
— Estou, foi só uma tontura. Deve ser por causa do automóvel.
Ela assentiu. E Thomas começou a empurrar minha cadeira de rodas até a porta de entrada.
Agradeci mentalmente por nunca permitir que colocassem escadas naquela entrada. Assim, eu não precisaria ser carregado novamente.
Quando a porta se abriu e entramos, vi três pessoas na sala. Mas meu olhar foi imediatamente atraído para uma figura específica.
Ela estava parada ao lado da minha sobrinha e da minha cunhada. A mulher que estava no meu quarto de hospital com uma criança no colo, aquela que dizia ser minha noiva. A tal Elisa.
Meu coração acelerou, o que foi estranho. Nossos olhares se encontraram no mesmo instante.
Então, ela está aqui. Isso era ótimo.

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