ELISA RIVER.
Minha sogra sentou-se ao lado do Victor, observando cada movimento com atenção. Podia-se notar o quanto era difícil para ele o simples ato de se sentar num sofá.
— Está se sentindo bem? — perguntou ela.
— Estou em casa — respondeu Victor. — Isso já melhora bastante.
— Você precisa descansar — disse ela. — Nada de ficar se esforçando.
— Eu não estou me esforçando — rebateu, irritado. — Eu mal consigo me mexer direito.
— E é exatamente por isso que precisa seguir as orientações médicas — acrescentou Thomas.
— Sei me cuidar, Thomas, não sou uma criança.
— Não parece. — Comentou Thomas, debochado.
Victor lançou um olhar frio para ele.
— Quer testar?
— Nem um pouco, não quero que nossa mãe me bata por te machucar — respondeu Thomas, levantando as mãos. Victor sorriu de lado.
Ceci se inclinou em sua direção.
— Tio… você vai precisar mesmo usar essa cadeira?
Victor fechou a expressão imediatamente.
— Temporariamente, para minha infelicidade.
— Mas você vai melhorar, não vai?
Ele suspirou.
— Sim, eu vou. Você sabe que seu tio nunca se deixa abater ou desiste.
— O senhor terá fisioterapia, tio — disse ela, animada. — Você vai ficar bem rapidinho.
— Espero que sim.
— E o médico? — perguntou Eleonor. — O que ele disse exatamente?
Victor revirou os olhos.
— Que tenho que viver como um inválido por algumas semanas.
— Victor — repreendeu minha sogra.
Mas ainda assim doía, ser ignorada, ser deixada de lado. Doía estar ali… e não fazer parte da conversa.
Eu já não suportava mais ficar naquele lugar. Queria sair correndo dali. Foi então que um som quebrou meus pensamentos. A babá eletrônica que estava na minha bolsa.
Rapidamente, peguei o aparelho. Mel estava acordada e chorando. Meu coração apertou imediatamente.
Mas antes de me virar, eu levantei o olhar. E foi então que percebi. Victor estava me olhando.
E tinha aquele mesmo olhar, frio, intenso e analítico. Como se estivesse tentando me decifrar novamente. Um arrepio percorreu meu corpo inteiro. Minhas mãos ficaram levemente trêmulas. Por um segundo, eu pensei em dizer algo. Qualquer coisa.
Mas não consegui. Sem dizer uma palavra, virei-me e saí dali, silenciosamente. Sem ser notada. Exceto por ele. Eu podia sentir o olhar dele nas minhas costas.
Cada passo que eu dava em direção à escada parecia mais pesado e difícil. E então, sem eu perceber, lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, silenciosas, doloridas e cheias de incerteza.
Subi o primeiro degrau. Depois, o segundo. E uma pergunta se formou na minha mente, me atingindo com força:
— Será que devo mesmo ficar aqui, nessa casa, impondo minha presença?
Meu peito apertou ainda mais.
— Será que será sempre assim a partir de hoje? Todos me ignorando na presença de Victor?
Meu coração doeu por não saber o que esperar.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.