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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 158

ELISA RIVER.

Subi as escadas rápido, pois queria sair o mais rápido possível daquela sala. O som do choro de Mel ecoava pela babá eletrônica, me deixando aflita para chegar logo à minha filha, eu precisava socorrer minha pequena. Cheguei no quarto e encontrei Melissa chorando inconformada, o rostinho vermelho, os bracinhos agitados no berço.

— Mamãe está aqui, meu amor.

Assim que ouviu minha voz, ela virou a cabecinha na minha direção e parou um momento de chorar, como se reconhecesse o som que mais a acalmava no mundo, a voz de sua mãe. Me aproximei, peguei-a nos braços e comecei a embalá-la devagar, colando seu corpinho quente no meu peito. Mel fungou, ainda soluçando baixinho, mas lentamente foi se acalmando. Acho que só ficou assustada por acordar e não me encontrar ali.

Troquei a fralda dela, que estava suja, limpei com cuidado, coloquei uma roupinha limpa e macia — aquela de algodão rosa que ela ficava linda e muito fofa. Com Mel limpa e mais calma, era hora de dar comida para minha filha.

— Está na hora da minha pequena mamar. Está com fome, filha? — perguntei, sorrindo para ela.

Mel me olhou fixamente, balançou os bracinhos e deu um gritinho animado, deitada no berço, como se respondesse “sim, mamãe, agora!”. Era impressionante como nós nos entendíamos tão bem.

Minha filha era um bebê bem esperto. Fui até onde eu deixava a garrafa térmica com o leite. E percebi estar vazia. Naquela correria toda, eu tinha me esquecido completamente de encher.

— Estamos sem leite, amorzinho da mamãe. Vamos ter que ir até a cozinha e fazer mais.

Peguei Mel nos braços, segurei-a firme contra mim e saí do quarto. Desci a escada devagar, com todo cuidado para não cair e tentando não fazer barulho, pois não queria chamar a atenção para mim. Mas, no meio do caminho, ouvi a conversa na sala. E o que escutei me fez me preocupar a princípio e depois congelar no degrau.

Era duro ver o homem que você ama sofrendo e não poder ajudar. A tosse dele… aquela tosse violenta, rouca, que parecia rasgar o peito… tive vontade de correr para socorrê-lo, de colocar a mão nas costas dele, de oferecer água, de fazer qualquer coisa. Mas sabia que ele me afastaria. Ele nem me reconhecia. Para ele, eu era uma estranha. Uma intrusa.

Quem estou enganando? Eu não aceitaria mais esses desaforos. Não mais. A voz de Ceci me tirou do transe.

— Eli! — Me chamou e estava nervosa e um tanto assustada.

Vi quando Victor virou a cabeça na minha direção. Nesse exato momento, Mel choramingou baixinho, tirando-me a atenção dele. Abaixei o olhar imediatamente, segurei minha filha mais firme e continuei descendo. Não ia parar. Nem ia dar atenção a quem me desprezava. Fui em direção à cozinha.

Ouvi Ceci me chamando e vindo atrás de mim até a cozinha. Quando cheguei, parei perto da mesa, sentindo as pernas tremerem. As lágrimas queriam cair, mas eu as segurei com força.

Não vou chorar agora, preciso ser forte.

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