VICTOR BALTIMOR.
Eu estava furioso e morrendo de dor; aquele infeliz quase arrancou meu pau fora. Meus olhos chegaram a arder e a se encher de lágrimas. A ardência subiu pelo ventre como fogo, e por um segundo minha visão até escureceu com a pontada brutal que atravessou meu corpo.
— Seu desgraçado! Quer arrancar meu pau, infeliz?
— Me perdoe, senhor Baltimor. Não foi minha intenção. Achei que estivesse fácil de tirar, não imaginei que estava agarrado.
— Você não é pago para achar, inferno! Como vai arrancando uma sonda sem verificar antes? — esbravejei com ódio, ainda sentindo uma dor horrorosa no meu pau.
Aquela fisgada latejava sem piedade, pulsando de um jeito cruel, espalhando uma sensibilidade insuportável. Era como se cada nervo do meu pobre garoto tivesse sido violentamente agredido. Meus dedos se fecharam no lençol, amassando o tecido enquanto eu tentava conter a vontade de levantar da cama e quebrar a cara daquele incompetente.
Coitado do meu pobre garoto, sendo agredido desse jeito.
— Desculpe, senhor, foi erro meu. Eu me distraí.
— É lógico que foi seu erro! De quem mais seria? Você tem que prestar atenção no que faz!
— Vou ter cuidado daqui para frente — disse, aproximando-se para continuar a retirada.
No instante em que o vi dar mais um passo na direção da cama, o sangue ferveu ainda mais nas minhas veias. Meu corpo inteiro se enrijeceu, tomado pela revolta e por um instinto feroz de proteção.
— O que pensa que vai fazer? — perguntei, bravo. Até parece que vou deixar esse maltratador de pênis tocar no meu garoto de novo.
— Vou terminar de tirar a sonda e tratar o local.
— Um caralho que vai! Você não vai tocar de novo no meu pau. Suma daqui, agora, antes que eu quebre sua cara.
O médico arregalou os olhos, assustado, e deu um passo para trás. O susto estampado no rosto dele me trouxe uma satisfação, mas pequena demais diante da dor que eu estava sentindo.
Fiquei observando sua cara amedrontada. Eu ainda posso dar uns bons socos nesse infeliz. Só porque estou impossibilitado, acham que não sou mais capaz? Ainda não estou morto.
— Senhor Baltimor, eu preciso remover essa sonda… — começou, recuperando-se do susto e adquirindo uma postura profissional, embora ainda fosse possível ver o medo em sua expressão.
— Já disse que você não me toca mais. Porra.
O silêncio que caiu no quarto ficou pesado, carregado de tensão. O médico soltou um suspiro contido, claramente tentando manter a calma, e olhou para os dois enfermeiros.
Olhei para meu pau, que estava bastante vermelho e inchado pelo puxão daquele infeliz. A visão me fez cerrar os dentes. A pele sensível parecia pulsar, e até o simples contato do ar causava desconforto.
Peguei o lençol e joguei sobre meu garoto, cobrindo-o com cuidado, ainda tomado por um misto de raiva, humilhação e dor.
Se conheço minha família, logo estarão entrando aqui. Com certeza aqueles três vão correndo contar para minha mãe. Reclamando feito bebês chorões.
— Estou cercado de incompetentes.
Repousei a cabeça no travesseiro e fechei os olhos, tentando amenizar a dor. Respirei fundo uma, duas, três vezes, mas cada movimento do meu corpo me fazia sentir a presença incômoda da sonda ainda ali, lembrando-me do desastre que havia acabado de acontecer.
Os segundos pareceram se arrastar. O quarto estava silencioso, era um silêncio de paz — mas eu sabia que logo essa paz acabaria. Mas era bom ficar um pouco sozinho, sem um par de olhos observando cada movimento meu.
Se passaram uns cinco minutos, e a porta se abriu em um rompante, com força suficiente para fazer o barulho ecoar pelo quarto e atravessar meus nervos já em frangalhos. Para que essa violência toda com a porta?
Meu maxilar travou. Meu peito subiu e desceu lentamente, pesado, enquanto a tensão tomava conta de cada músculo do meu corpo. Eu sabia que aquele momento vinha carregado de problemas, cobranças e mais irritação. Conseguia sentir a atmosfera mudar, densa, elétrica, sufocante.
Nem me dei ao trabalho de olhar para saber quem era.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.