ELISA RIVER.
O funcionário estava visivelmente tenso.
Todos olhamos para ele apreensivos. Meu coração deu um salto violento no peito. O ar pareceu ficar mais pesado. Por um segundo, o pior cenário passou pela minha cabeça: Charlotte invadindo a casa, armada, pois para passar por toda a segurança lá fora, só estando fortemente armada.
Ela estava aqui, havia conseguido entrar na casa. Ela havia vindo atrás de nós. Minhas mãos apertaram o carrinho de Mel com força, os dedos tremendo. O medo que eu sentia desde que Thomas falou o nome daquela maldita se transformou em pânico puro.
Minha sogra se endireitou na cadeira, assumindo a rédea da situação, com a voz firme, mas podia-se notar uma leve preocupação.
— O que aconteceu? Fale logo!
O funcionário engoliu em seco, olhando para todos nós antes de responder:
— É o senhor Victor. Ele expulsou o médico e os dois enfermeiros do quarto dele.
Um suspiro coletivo de alívio encheu a sala. Soltei que nem percebi estar prendendo. Meu corpo relaxou um pouco contra a cadeira. Não era Charlotte. Graças a Deus, não era a psicopata. Ainda assim, meu coração continuava acelerado, tentando se recuperar do susto.
— Graças a Deus… — murmurei baixinho, passando a mão no peito.
— Expulsou? — repetiu minha sogra, franzindo o cenho. — O que houve exatamente? — questionou com alívio na voz.
Antes que o funcionário pudesse responder, a equipe médica apareceu na porta da sala de jantar. Os três estavam pálidos, visivelmente assustados. O médico tinha o rosto vermelho, os enfermeiros pareciam querer desaparecer.
— Senhora Abigail… — começou o médico, a voz trêmula. — O senhor Victor… ele nos expulsou do quarto. Não nos deixou terminar o procedimento.
— Já fomos informados. — respondeu minha sogra.
— Que procedimento? — perguntou Thomas, já se levantando.
— A retirada da sonda urinária — explicou o médico, engolindo em seco. — Ela estava agarrada. Tentei puxar com cuidado, mas… acabei causando dor. Senhor Victor ficou extremamente irritado. Gritou que eu quase arranquei o membro dele, me xingou… disse que eu não era pago para achar e que eu era incompetente. Depois, proibiu que eu tocasse nele novamente. Ameaçou quebrar minha cara. Quando sugeri que um dos enfermeiros tentasse, eles recusaram. Então o senhor Baltimor mandou nós três sairmos ou nos demitiria.
Os enfermeiros confirmavam com a cabeça, ainda pálidos.
— Ele estava muito furioso, senhora — completou um dos enfermeiros. — Disse estar cercado de incompetentes e que não queria mais nos ver.
— Bem, eu também ficaria furioso, se acontecesse comigo. Meu tio, não está errado. — Comentou Ceci, defendendo seu amado tio.
— Ceci, está certa, Victor, tem razão em reclamar. Deveriam ter mais cuidados com ele. Victor está debilitado, com dores pelo corpo e acamado. Seus cuidados requerem atenção. — Comentei. Os três abaixaram a cabeça e não responderam.
Senhora Abigail suspirou. Thomas passou a mão pelo cabelo, preocupado.
— Sim, você. Já que é noiva dele, não vejo problema em ir junto. Vocês já transaram, então não será novidade e muito menos constrangedor para você.
Senti o rosto esquentar. Era verdade, mas ter sua intimidade exposta na sala de jantar era constrangedor.
— Não acho uma boa ideia. Já que Victor nem se lembra de mim. Acho que ele ficará desconfortável comigo.
— Bobagem — disse Abigail, descartando minha preocupação com um gesto de mão.
— Não posso ir, tem a Melissa para cuidar — respondi rapidamente, procurando uma saída. Ceci logo interveio, com um sorriso sapeca:
— Pode ir que eu e minha mãe cuidamos dela.
Olhei descontente para a minha amiga por tirar minha justificativa. Eleonor reforçou:
— Pode ir tranquila, que cuidamos da Mel.
Sem escolha, eu entreguei Mel nos braços de Ceci. Minha filha não reclamou, até parecia que queria ver os pais juntos. Suspirei derrotada e caminhei com Thomas e minha sogra em direção à sala de estar e, em seguida, ao quarto de Victor.
Só espero que ele não queira me expulsar também, ou me xingar, pois não vou aguentar desaforo calada.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.