VICTOR BALTIMOR.
Mantive os olhos fechados, o corpo tenso de dor e raiva. O ardor entre as pernas ainda latejava forte e era insuportável, era como se alguém tivesse enfiado uma faca quente ali. O lençol cobria meu pau inchado e vermelho, mas a humilhação queimava mais do que a dor física. E cada respiração parecia piorar a sensação de que algo tinha sido rasgado ali.
— Victor, o que aconteceu?
A voz da minha mãe soou preocupada, mas com aquele tom que ela utilizava quando estava prestes a me dar um sermão. Abri os olhos devagar. Thomas, minha mãe e… Elisa. Os três estavam parados perto da cama. Elisa ficou um pouco mais atrás, as mãos juntas na frente do corpo, o rosto tenso. Seus olhos evitaram descer para o lençol, mas vi o desconforto nela. Olhei para trás dela e vi aqueles três incompetentes. Isso só alimentou minha fúria. Isso só me deixou ainda mais irritado e furioso.
— O que vocês estão fazendo aqui? — rosnei, a voz rouca. — Eu disse que não queria mais ver vocês, seus incompetentes. E agora vocês trazem plateia? Thomas deu um passo à frente, tentando manter a calma.
— Eles nos contaram o que aconteceu. A sonda ficou agarrada. — Eu ri amargamente, apertando o lençol com força.
— Aquele desgraçado quase arrancou meu pau fora! Puxou como se estivesse tirando um prego enferrujado. Senti cada centímetro sendo rasgado. Ainda está ardendo para caralho. E vocês acham que vou deixá-lo ou qualquer um dos outros dois tocar em mim de novo? Nem fodendo.
Minha mãe se aproximou da cama, o olhar firme.
— Filho, a sonda precisa ser retirada. Não pode ficar assim. Pode infeccionar gravemente.
— Então mandem outro médico! Um que saiba o que está fazendo! — explodi, sentando-me um pouco com dificuldade na cama apesar da dor.
— Eu não sou um animal para ser tratado desse jeito. Sou o primeiro-ministro, porra! E estou aqui deitado, exposto, sendo machucado por gente incompetente!
Meus olhos se voltaram para Elisa por um segundo. Ela estava parada, quieta, mas vi o desconforto no seu rosto. Ela estava me vendo vulnerável, nu debaixo do lençol, sofrendo dor e humilhação. Isso me deixou ainda mais furioso. Eu não queria que ela me visse assim. Não queria que ninguém me visse assim.
— Saiam — ordenei, a voz baixa e cortante. — Todos. Eu não quero plateia enquanto estou nessa situação ridícula.
Thomas balançou a cabeça.
— Victor, seja razoável. Vamos resolver isso. Mas você precisa deixar alguém terminar o procedimento corretamente.
— Eu não quero aqueles três me tocando — rosnei. — Mandem outro. Agora. E vocês… saiam do meu quarto. Especialmente você.
Olhei diretamente para Elisa.
— Não preciso de mais gente me olhando como se eu fosse um inválido patético.
Elisa abriu a boca, mas não disse nada. Seus olhos estavam arregalados, uma mistura de preocupação e mágoa passando pelo rosto dela. Isso só aumentou a pressão no meu peito. A dor latejava, a raiva queimava, e agora a humilhação de tê-la ali me vendo assim tornava tudo insuportável. Minha mãe suspirou, trocando um olhar com Thomas.
— Victor, nós só queremos ajudar… — começou minha mãe.

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