ELISA RIVER.
Ver Victor sentindo dor e naquele estado estava me enlouquecendo de preocupação. Era o homem que amo, ali, mesmo não se lembrando de mim. Eu o amava e não conseguia mais suportar vê-lo assim, vulnerável e perdido. Ele estava demonstrando estar com raiva, estava sendo rude, mas eu sabia que estava sofrendo e muito.
Então, sem pensar muito, ofereci-me para ajudar. Eu sabia e podia fazer aquilo. Então, por que não tentar?
Achei que Victor recusaria, mas, para minha surpresa, ele aceitou. Confesso que fiquei envergonhada em solicitar para mexer em seu pênis, mesmo que fosse para tirar aquela sonda, que pela expressão dele, deveria estar doendo e muito.
Thomas quis fazê-lo mudar de ideia e esperar o médico, mas Victor disse que eu faria.
A porta se fechou atrás de Thomas e da senhora Abigail, deixando apenas eu e Victor no quarto.
O silêncio desconfortável caiu entre nós. Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguiria ouvir. Victor estava deitado na cama, o lençol cobrindo a parte inferior do corpo. Seu rosto estava vermelho, uma mistura de dor e raiva evidente. Ele não olhava para mim. Seus olhos estavam fixos no teto, o maxilar travado.
Meu Victor estava envergonhado e indefeso, isso me partia o coração.
Fiquei parada perto da cama, as mãos suadas, o rosto queimando de vergonha. A situação era extremamente íntima e desconfortável. Eu ia tocar nele. No pau dele. Um lugar tão privado, tão vulnerável. E ele nem se lembrava de mim como sua noiva. Para ele, eu era uma estranha.
— Victor… — minha voz saiu baixa, quase um sussurro. — Vou tirar a sonda. Vou fazer com o máximo de cuidado possível.
Ele não respondeu imediatamente. Apenas apertou o lençol com mais força. Vi os nós dos dedos dele ficarem brancos.
Fui até a prateleira que a equipe médica montou com material hospitalar. Peguei um par de luvas e tudo que precisaria para tratar o local e a ferida. Pois com certeza estava machucado. Me aproximei da cama de novo. Passei álcool na mão e coloquei as luvas.
— Posso tirar o lençol? — perguntei. Ele ainda estava olhando para o teto. Mas desviou e me encarou.
— Pode, mas tenha cuidado — ordenou, mas não foi frio, ele estava contido, como se respirar e falar lhe doesse tudo.
— Terei todo o cuidado possível.
Victor suspirou e virou o rosto para o outro lado. Com muito cuidado, levantei o lençol apenas o suficiente para ter acesso. Quando vi seu pau, fiquei preocupada.
O local estava vermelho, inchado e claramente irritado. A visão me deixou ainda mais envergonhada. Eu sentia o rosto arder, o coração martelando no peito.
— Está bastante inchado — continuei, tentando manter a voz profissional, embora meu rosto estivesse em chamas de vergonha e apreensão.
Toquei e comecei a examinar o local e a sonda. Realmente estava presa, terei que utilizar soro para ela soltar. Era bastante preocupante.
— Preciso tirar agora. Se ficar assim, pode infeccionar gravemente, a sonda está presa e, na tentativa de tirar, feriu o local. Vou utilizar soro para que ela se solte. E… vou ser sincera, vai doer. Vai doer bastante.
Victor virou o rosto para mim. Seus olhos estavam uma mistura de dor, raiva e surpresa.
— Como assim, vai doer? — repetiu-o, a voz rouca.

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