ELISA RIVER.
A equipe médica agiu rápido. O médico checou os sinais vitais. Os enfermeiros mediram a pressão, verificaram os batimentos. Fiquei ao lado, afastada da cama, dando-lhe espaço para trabalharem. Minhas mãos estavam contra meu peito, o coração parecia estar pulsando na minha garganta. O medo de perdê-lo era sufocante. Victor ainda estava se recuperando, estava num estado delicado ainda.
Thomas andava de um lado para o outro, bastante nervoso. Todos estávamos, inclusive a equipe médica que trabalha sobre a pressão do olhar de Thomas que naquele momento parecia muito com Victor.
Minha sogra se aproximou, o rosto ainda pálido. Ela começou a conversar comigo, percebi que era uma maneira de se distrair.
— O que exatamente vocês estavam conversando? Não conseguimos ouvir direito do corredor.
Respirei fundo, tentando controlar a voz trêmula, e contei:
— Ele reconheceu o meu perfume. Disse ser o mesmo dos sonhos dele. Expliquei que era o sabonete que utilizo, que ele sempre adorava. Mas ele ainda não se lembra de mim. Victor me agradeceu pelo quarto, pela cadeira, pela sopa… perguntou por que fiz tudo isso. Eu disse ser porque o amo. Então pediu que eu ficasse mais um pouco. Ele me queria aqui ao seu lado, me puxou para seus braços. Estávamos tendo um progresso, mesmo ele não se lembrando de mim. E isso acontece. Não é justo.
Declare-me sentido desanimada. Minha sogra me abraçou apertado, me consolando. Depois, se afastou um pouco e notei que estava visivelmente esperançosa. Seus olhos brilharam.
— Elisa, meu filho reconheceu o cheiro… Isso é um grande avanço. Um sinal de que as memórias estão tentando voltar.
Thomas, porém, foi mais cauteloso. Ele balançou a cabeça, preocupado.
— Ele reconheceu o cheiro, mãe, mas ainda não se lembrou dela. Não vamos criar falsas esperanças.
Ficamos em silêncio, pois Thomas estava certo. Voltamos nossa atenção a Victor. O médico, após examiná-lo, virou-se para nós com expressão séria.
— Aparentemente, ele teve uma queda de pressão arterial, o que pode ter causado o desmaio. Isso pode ter sido causado pela emoção de reconhecimento. Mas, como Elisa mencionou uma possível dor na cabeça, vamos esperá-lo acordar. Dependendo do estado dele, teremos que levá-lo ao hospital para fazer alguns exames e descobrir se há algum problema neurológico.

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