ELISA RIVER.
Me virei imediatamente assim que ouvi meu nome. Por um segundo, meu coração simplesmente parou no peito. Olhei na direção da cama, e Victor estava acordado.
Os olhos abertos, a respiração acelerada, o rosto marcado por uma mistura de choque, culpa e desespero. Ele havia me chamado. Então ele chamou mais uma vez, e dessa vez pude notar ainda mais o desespero em sua voz, a urgência quase dolorosa.
Respondi imediatamente, indo em direção à cama com o coração disparado:
— Victor, estou aqui.
No mesmo instante, ele se virou na direção da minha voz. E foi então que senti meu ar faltar. Seu olhar estava diferente agora. Não era mais vazio, confuso ou distante.
Havia reconhecimento, emoção. Era um olhar do homem que eu conhecia.
Aproximei-me mais, parando ao seu lado, sentindo minhas pernas quase falharem diante da intensidade daquele olhar.
Victor me olhou como se estivesse vendo a coisa mais importante do mundo. Como se tivesse acabado de voltar de um lugar muito escuro. Como se não me encontrar tivesse sido a pior dor da sua vida.
— Elisa, meu amor… por favor, me perdoe. — A voz dele saiu rouca, embargada pela culpa. — Eu não deveria ter tratado você e nossa filha daquela maneira. Eu nunca vou me perdoar por dizer aquelas coisas… por mandar expulsar vocês de casa. Eu errei. Me perdoe. Eu te amo.
Primeiro, fiquei paralisada. Meu corpo simplesmente não reagiu. Depois veio a confusão.
Meu coração acelerou tanto que pude sentir cada batida ecoando no peito, forte, descompassada, quase dolorosa. Minha respiração ficou suspensa no ar, presa entre a esperança e o medo de acreditar cedo demais.
Então, por fim, o choque, meus olhos se arregalaram. E eu entendi o que estava acontecendo.
Meu Deus…
Ele lembrou. Minha voz saiu trêmula, carregada de emoção e cautela, enquanto eu tentava me conter para não me decepcionar.
— Victor… você lembra de mim? Você recuperou a memória?
A pergunta ficou entre nós, pairando no quarto como se o mundo inteiro dependesse daquela resposta. Aguardei-o me responder, e foi uma espera de segundos que durou muito mais.
Tempo demais.
Como se ele precisasse ter certeza de que eu estava mesmo ali. Como se temesse me esquecer de novo.
Victor levou minha mão até os lábios e beijou meus dedos com ternura, fechando os olhos por um breve momento.
— Fui cruel com você — ele confessou, a voz tomada pela culpa. — Cada lembrança voltou. E com elas o fato de ter te tratado mal. Lembrar do seu rosto quando eu disse aquelas coisas horríveis… do medo da Melissa quando me exaltei… da dor nos seus olhos. Elisa, eu não consigo suportar saber que fui eu quem causei isso. Que te fiz sofrer, que quase estraguei tudo.
Senti meu peito apertar.
A dor daqueles momentos ainda existia, ainda estava viva em algum lugar dentro de mim. Mas ver Victor daquele jeito, destruído pelo próprio arrependimento, também me partia por dentro.
Inclinei-me sobre ele e levei a mão livre ao rosto dele, acariciando sua pele com delicadeza.
— Você voltou para mim — falei baixinho, com a voz embargada. — Isso é tudo o que importa agora.
Victor fechou os olhos ao sentir meu toque, como se aquilo o aliviasse e, ao mesmo tempo, o machucasse mais.
— Não é verdade, importa sim. — Ele abriu os olhos e me encarou com intensidade. — Machuquei você, a mulher que amo, e assustei a minha filha. Eu nunca vou apagar isso.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.