ELISA RIVER.
Senti, no mesmo instante em que ouvi a voz de Victor que ele estava irritado. O tom da voz dele mudou assim que viu que invadiram o quarto, e a forma como sua mão apertou a minha deixou ainda mais claro que a interrupção o incomodou profundamente.
Eu, por outro lado, ainda olhava assustada para todos ali no quarto.
A entrada repentina havia sido tão brusca que meu coração ainda batia acelerado no peito. O susto foi tão grande que, por um segundo, senti até a barriga endurecer e levei instintivamente a mão ao ventre, como se meu corpo reagisse antes mesmo do pensamento.
Saber que Charlotte estava foragida me deixava tensa, achando que a qualquer momento ela iria invadir a casa para me ferir e ferir minha filha.
Minha sogra foi a primeira a falar. A senhora Abigail nos observava com atenção, ainda parada a uma distância da cama, com Thomas, Eleonor e Cecília logo atrás.
— Ouvimos as risadas e viemos ver o que estava acontecendo.
A voz dela saiu carregada de apreensão da irritação do filho, mas também de curiosidade. Victor soltou um ar impaciente ao meu lado e, mesmo deitado, parecia imponente.
— E precisavam entrar desse jeito, feito uma manada de elefantes em fuga, e assustar a minha mulher grávida dos nossos gêmeos?
A pergunta saiu irritada, rude e extremamente protetora. Senti meu coração saltar no peito ao ouvi-lo me chamar daquela forma outra vez.
Minha mulher.
Havia algo naquela posse amorosa, naquele jeito firme e natural de me incluir na vida dele, que aquecia tudo dentro de mim. Como senti falta de ouvi-lo falar isso.
A senhora Abigail abriu a boca para responder, provavelmente pronta para retrucar o mau humor do filho, mas parou de repente.
O olhar dela mudou. A surpresa tomou conta do seu rosto de forma tão clara. Thomas arregalou os olhos ao lado dela.
— Filho… você disse sua mulher?
O quarto pareceu prender a respiração naquele segundo. Victor virou o rosto na direção da mãe com a maior naturalidade do mundo, como se não entendesse o motivo do espanto. Mas sei que ele entendia.
— Sim, eu disse. O que tem demais? Elisa é minha noiva e mãe dos meus filhos. É normal que eu a chame de minha mulher. Não acha?
Meu peito se aqueceu de um jeito quase doloroso. Ouvir aquilo na frente de todos, depois de tudo o que aconteceu, tinha um peso diferente.
Thomas foi o próximo a falar, e sua voz saiu tomada por surpresa e esperança.
— Irmão… você se lembra da Elisa?
Olhei imediatamente para Victor.
Mesmo sabendo a resposta, meu coração ainda acelerou com a expectativa daquele momento compartilhado com todos.
Victor sorriu. Um sorriso verdadeiro, leve, cheio de uma paz da qual senti falta por tanto tempo.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.