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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 193

VICTOR BALTIMOR.

Eu já sabia que Elisa voltaria.

No instante em que ouvi os passos apressados da equipe médica saindo do meu quarto, tive a certeza de que, mais cedo ou mais tarde, ela apareceria para tentar resolver a situação. Aqueles chorões devem ter ido reclamar com a minha mãe, que recorreu à Elisa. E a verdade era simples: eu não queria aqueles homens perto de mim. Não depois da humilhação da sonda.

Só de lembrar do constrangimento que senti naquele dia, meu maxilar endurecia. Era ridículo, eu sabia, até infantil, mas havia coisas que eu simplesmente não conseguia tolerar, e uma delas era perder completamente o controle sobre o próprio corpo e ainda passar humilhação diante de outras pessoas.

Talvez fosse por isso que, após recuperar a memória, aquela sensação tivesse ficado ainda pior. Porque agora eu lembrava de tudo. Da queda, do caos, dos gritos, do metal se partindo, do fogo, da impotência. Fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso daquela lembrança querer me esmagar outra vez. Eu ainda conseguia ouvir. Ainda conseguia sentir. O impacto, o desespero, a responsabilidade.

Era isso que mais me consumia. Não apenas ter sobrevivido, mas ter sobrevivido enquanto outros não tiveram a mesma sorte. Funcionários meus. Homens e mulheres que confiaram em mim. Pessoas que embarcaram naquele avião porque trabalhavam para mim, porque estavam na minha agenda, na minha rota, no meu mundo. E faleceram. Por minha causa.

Eu sabia que racionalmente a culpa não era minha, mas a mente não obedecia à razão quando a culpa decidia se instalar. O peso daquela carga emocional estava sobre mim como uma rocha pesada, silenciosa e constante, me esmagando por dentro a cada lembrança que voltava. E eu estava fazendo o que sempre fiz de melhor: escondendo, sustentando a postura e agindo como se tudo estivesse sob controle.

Mas não estava. E Elisa viu, claro que ela viu. Ela sempre via além de tudo o que eu tentava esconder.

Quando ela entrou no quarto, com expressão cansada, mas linda e com aquele olhar que sempre me desmontava, senti meu coração se agitar um pouco. Apenas a presença dela já fazia isso comigo. Me acalmava, me provocava e, ao mesmo tempo, me fazia perceber o quanto eu precisava dela mais do que gostaria de admitir.

Quando começou a tentar me convencer a não demitir a equipe, eu já estava decidido a não ceder facilmente. Não porque realmente quisesse dispensá-los, mas porque, no fundo, eu havia encontrado uma oportunidade e aproveitei. Não, foi algo planejado. Eu não pensei antes em utilizar a situação a meu favor. Mas, no instante em que Elisa se sentou ao meu lado, me beijou e depois começou a negociar comigo, eu vi a brecha. E seria um idiota se não utilizasse.

A ideia surgiu pronta na minha cabeça.

Se eu teria que suportar aquela equipe, pelo menos garantiria que certas partes da minha recuperação continuassem exclusivamente nas mãos dela. A simples lembrança de Elisa cuidando de mim, mesmo na situação constrangedora da sonda, despertava algo dentro de mim. Não era apenas desejo. Era intimidade, confiança, entrega. Algo que só existia entre nós.

Por isso fiz a proposta. Sem planejar e sem culpa. Apenas aproveitando a oportunidade perfeita que ela me deu.

E a reação dela foi exatamente a que imaginei. Vergonha, indignação e aquele rubor lindo no rosto que sempre me deixava fascinado. Eu sabia que estava sendo descarado, mas também sabia que, no fundo, Elisa entendia perfeitamente o motivo de eu querer aquilo. Depois de tudo o que aconteceu, a ideia de qualquer um daquela equipe médica me tocando naquele nível me irritava profundamente.

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