ELISA RIVER.
Sorri sozinha ao lembrar do banho tão esperado por Victor.
Depois da nossa pequena negociação no quarto, ele havia ficado visivelmente animado. Eu conseguia ver no brilho do olhar dele que sua mente já estava indo longe demais, imaginando coisas que claramente não aconteceriam.
Ainda assim, não tive coragem de frustrá-lo logo de início. Primeiro, precisei chamar um dos enfermeiros para auxiliá-lo a sair da cama. Eu não podia carregá-lo, ainda mais estando grávida.
Victor não gostou nem um pouco. Seu mau humor foi imediato no instante em que o enfermeiro entrou no quarto para ajudá-lo.
— Sério mesmo que você o chamou? — Victor resmungou, me olhando como se eu tivesse cometido uma traição gravíssima.
Cruzei meus braços, segurando a vontade de rir.
— Você acha mesmo que, com essas costelas fraturadas, vai conseguir levantar sozinho? E acha que dou conta de te carregar, ainda mais grávida?
Ele fechou a cara. Mas vi que ele me dava razão, só não queria concordar na frente do enfermeiro.
— Achei que o acordo fosse você cuidar de mim.
Aproximei-me, ajeitando o travesseiro atrás dele para facilitar.
— E eu vou cuidar. Mas para tirar você da cama e colocar na banheira, precisamos de ajuda. Ou prefere cair no chão e quebrar o resto?
Victor bufou, claramente contrariado, mas não teve escolha.
O enfermeiro o ajudou com cuidado a se sentar, depois a ficar de pé. Victor respirou fundo algumas vezes, suportando a dor e o desconforto do movimento, enquanto permaneci ao lado, pronta para segurá-lo se precisasse. Ele foi colocado sentado na cadeira de rodas.
Quando finalmente conseguiu chegar ao banheiro, o enfermeiro o ajudou a entrar na banheira e saiu logo em seguida. No instante em que a porta se fechou, Victor me olhou. E aquele olhar estava perigosamente animado.
— Agora sim — murmurou, a voz rouca. — Pode começar, amor.
Sorri por dentro. Acho que ele realmente está pensando que receberá uma massagem erótica.
Aproximei-me da banheira. Eu sorri, molhei a esponja e comecei a lavar suas costas, os ombros, o peito. Devagar. Com cuidado, utilizando a esponja macia e evitando os machucados. Mas evitei completamente a parte que ele mais esperava.
Victor me observava em silêncio, atento a cada movimento.
— Você está muito quieto — comentei, contendo o riso. Ele ergueu uma sobrancelha.
— Estou esperando a parte boa.
Mordi o lábio para não rir.
— A parte boa é você tomar banho sem arrancar os pontos ou piorar as costelas.
Victor estreitou os olhos, desconfiado.
— Elisa…
Ignorei o tom sugestivo e continuei ensaboando seus braços, o pescoço, as costas e o abdômen com toda a delicadeza possível.
A água morna deixava o ambiente ainda mais íntimo, e o cheiro do sabonete se misturava ao vapor que subia pelo banheiro.
Victor continuava me olhando com expectativa. Era quase engraçado. Na certa, ele esperava que eu fosse descendo lentamente, provocando.
Mas não. Eu estava sendo extremamente profissional. Ou quase isso. Quando terminei a parte de cima do corpo, enxaguei tudo com cuidado. Victor ficou quieto no começo, depois começou a se mexer na banheira, impaciente.
Victor me encarou.
— Só isso?
Não consegui segurar a risada.
— Está achando pouco?
— Elisa… você está esquecendo de um lugar importante — disse ele, tentando soar casual, mas a ansiedade transparecia.
— Ah, é? Qual lugar? — perguntei, fingindo inocência, enquanto lavava sua perna esquerda.
Ele bufou.
— Você sabe qual. Para de brincar.
Eu ri baixinho e continuei como se não tivesse ouvido nada. Ele apoiou a cabeça na borda da banheira e me lançou um olhar ofendido.
— Estou achando que fui enganado.
— Para de rir — resmungou, mas o canto da boca dele tremeu, quase sorrindo também.
— Não consigo. Você fica fofo quando está ofendido.
Ele me encarou, visivelmente descontente.
— E, você, Victor, esqueceu que não faz nem três dias que uma sonda feriu você e já está aí pensando em safadeza?
Ele desviou o olhar, emburrado.
— Eu estava apenas sendo otimista.
Aquilo me fez rir de verdade.
— Otimista?
Ele fez uma expressão ainda mais ofendida.
— Você está se divertindo demais com o meu sofrimento.
Acariciei seu cabelo com carinho, ainda sorrindo.
— Estou me divertindo com a sua cara de menino mimado.
Victor cruzou seus braços na água, como se estivesse profundamente injustiçado. A expressão era tão absurdamente infantil que ri ainda mais, lágrimas sairam dos meus olhos.
— Não acredito que está rindo de mim desse jeito.
Inclinei-me e beijei sua testa.
— É porque você fica muito engraçado ofendido.
O bico que ele fez em seguida quase me fez perder o controle de tanto rir. Após terminar o banho, ajudei Victor a se secar e chamei novamente o enfermeiro para auxilia-lo a voltar para a cama. Dessa vez, ele aceitou, ainda de cara fechada, mas já muito mais relaxado por causa do banho.
Ri sozinha no meu quarto, lembrando daquele dia. Mais tarde, já com Melissa no colo, desci até a sala.
Ainda sorria ao lembrar da expressão indignada de Victor no banheiro. Foi então que, ao entrar na sala, encontrei Pablo e Átila chegando.

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