VICTOR BALTIMOR.
Se alguém me dissesse que eu terminaria aquele banho frustrado, ferido no orgulho e ainda sendo motivo de riso para Elisa, eu jamais acreditaria. Mas foi exatamente isso que aconteceu.
A verdade é que, depois do nosso acordo, minha mente foi longe demais. No instante em que Elisa aceitou me auxiliar no banho, eu imediatamente imaginei algo completamente diferente do que realmente aconteceu. Talvez a culpa fosse dela. Ou melhor, do jeito como ela me olhou antes de aceitar, do sorriso, da provocação, do jeito como me chamou de “senhor primeiro-ministro”. Tudo aquilo mexeu comigo e me fez fantasiar.
Após dias preso naquela cama, sentindo dor, frustrado por não lembrar do motivo do meu acidente, esquecido de dezessete meses da minha vida e tentando não deixar ninguém perceber o quanto aquilo estava me destruindo por dentro, a ideia de ter Elisa cuidando de mim parecia quase um prêmio. Um momento só nosso. Íntimo. Provocante. Excitante.
E minha mente, como sempre, correu na frente.
Quando ela chamou o enfermeiro para me ajudar a sair da cama, a primeira coisa que senti foi irritação. Aquilo definitivamente não fazia parte do cenário que eu havia criado na cabeça.
Mas a realidade foi cruelmente simples: eu realmente não tinha condições de sair dali sozinho. As costelas ainda doíam, meu corpo estava fraco e cada movimento brusco me lembrava que eu ainda estava muito longe de me recuperar. Tive que aceitar. Contrariado. Humilhado. E um pouco irritado por perceber que minha própria limitação estava atrapalhando até as fantasias mais inocentes que eu queria alimentar.
Quando finalmente o enfermeiro saiu e ficamos sozinhos no banheiro, a esperança voltou. Vi Elisa se aproximar da banheira e, por um instante, tive certeza de que agora sim as coisas seguiriam pelo caminho que eu imaginara. O vapor da água quente, o cheiro do sabonete, a proximidade dela, as mãos delicadas deslizando pelos meus ombros e peito… tudo parecia alimentar ainda mais a expectativa que eu mesmo havia criado.

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