VICTOR BALTIMOR.
Eu estava no quarto de Melissa quando um dos seguranças apareceu à porta. Bastou o olhar tenso dele para eu saber que algo estava errado.
Minha mãe estava sentada ao lado da cama, observando minha filha dormir. Levantei-me com cuidado.
— Já volto — murmurei para minha mãe.
Saí do quarto e segui o segurança até o corredor.
— O que houve? — perguntei, em tom baixo.
— Senhor… a frente do hospital está tomada. Repórteres, fotógrafos, cinegrafistas. Alguns conseguiram acesso a prédios vizinhos. Estão tentando ângulos de tudo quanto é lado. Senti a irritação surgir.
— Quantos?
— Muitos. Mais do que o esperado.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo a tensão subir pela nuca. Era exatamente o que eu temia. Bastava uma única imagem. Um único clique. Melissa não podia virar manchete.
— Reforce a segurança imediatamente — ordenei. — Duplique os homens. Quero cada janela monitorada. Ninguém entra, ninguém sai sem autorização expressa.
— Sim, senhor.
— E avise ao diretor do hospital — continuei. — Relembre a ordem: nenhum funcionário fala com a imprensa. Nenhuma informação sobre minha filha. Quem abrir a boca perde o emprego e responde judicialmente.
— Já foi feito, senhor. A área VIP está completamente isolada.
Assenti, mas a tensão não diminuiu. Nunca diminuía.
Voltei para o quarto e encontrei minha mãe me observando com atenção. Ela sempre soube ler meus silêncios.
— O que houve, querido? — perguntou.
— Os repórteres estão lá fora como abutres — respondi, sem rodeios.
Ela suspirou, mas manteve a calma.
— Isso era esperado. Só aumente a segurança.
— Já ordenei que fosse feito.
Mal terminei de falar, o celular vibrou no meu bolso. Olhei a tela. Pablo. Atendi.
— Diga.
A voz dele veio direta, sem rodeios.
— Senhor, a mídia descobriu a identidade da senhorita River. Está em todos os sites.
Fechei os olhos com força.
— Merda — rosnei. — Dê um jeito de sumir com essas informações.
— Já estamos trabalhando nisso, senhor. Mas se espalhou rápido demais.
— Então trabalhe mais rápido — retruquei. — E providencie uma equipe para montar uma área hospitalar completa. Não posso mais manter minha filha aqui.
Houve um breve silêncio do outro lado.
— Sim, senhor. Vou cuidar disso imediatamente. Para onde envio a equipe e os equipamentos?
— Para minha casa. Quero tudo pronto ainda hoje, à tarde.
— Que bom que pensei — respondi. — Agora vá tomar um banho e coloque roupas limpas. Mandarei alguém te entregar roupas apropriadas.
Soltei-a e segui em direção à casa. Ouvi quando ela bufou atrás de mim.
— Ele insinuou que eu estou suja?
Não me virei, apenas sorri.
Gostava de vê-la irritada. Ficava linda assim. Fui em direção a interior da casa, acompanhei Melissa ser instalada no quarto hospitalar. Elisa parou ao meu lado e observava tudo com atenção.
— A equipe ficará vinte e quatro hora de prontidão. Você só precisará ficar se Melissa acordar.
Informei, Elisa me olhou ainda visivelmente chateada com o meu comentário lá fora. Ela ficava linda brava.
— É seguro para Mel, ficar fora do hospital?
Perguntou e podia ver sua preocupação. Seu sentimento era mais do que a responsabilidade de uma babá. Elisa podia não ter percebido, mas ali naquele momento, eu notei que ela amava minha filha. E tive certeza na escolha que devia tomar.
— Sim, é seguro. Tomamos todas as precauções possíveis. Agora é só manter o ambiente esterilizado.
— Não precisa dizer que tenho que tomar banho. Eu já entendi. E fique sabendo que sou muito limpinha. — Disse irritada.
— Eu sei que é, esqueceu que tive dentro de você? — Falei perto de seu ouvido enquanto ela virava o rosto brava. Elisa se engasgou e começou a tossir, me preocupando.
— Você está bem? — Perguntei e toquei em suas costa. Ela se afastou rapidamente se recompondo.
— Eu vou tomar um banho e voltarei para ver Mel. Com, licença. — falou rapidamente e tentou sair apressada. Mas eu a segurei e a puxei para mais perto.
— Não demore, pois precisamos conversar.

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