ELISA RIVER.
Eu precisava parar de ficar desse jeito toda vez que Victor se aproximava demais.
Era automático. Irritante. Vergonhoso.
Meu corpo reagia antes mesmo que eu pudesse pensar, como se tivesse vontade própria. Eu tentava controlar aquele corpo traidor enquanto a água quente escorria pelo meu corpo no banho. Fechava os olhos, respirava fundo, mas a imagem dele insistia em voltar. O jeito como me olhava. O tom da voz. A presença esmagadora e minha vagina, imediatamente, reagia.
Aquilo não podia estar acontecendo comigo.
Minha vida estava um caos. Meu nome jogado na internet, minha identidade exposta, jornalistas caçando qualquer detalhe da minha existência. E, mesmo assim, meu corpo insistia em reagir a ele, como se eu fosse uma adolescente.
Quando terminei o banho, alguém bateu na porta. Vesti o roupão e fui atender.
Era Meire, parada ali com uma sacola na mão. Não sorriu, não puxou conversa.
— Trouxe isso — disse apenas, estendendo a sacola.
— Obrigada — respondi, estranhando o seu jeito frio.
Ela foi embora sem dizer mais nada. Notei que estava diferente, distante. Talvez estivesse em um dia ruim. Ou talvez as notícias da internet, já estivessem circulando dentro da casa também. E estivesse me julgando mal. Essa merda toda estava contaminando tudo ao redor.
Fechei a porta e abri a sacola. Uma roupa de enfermeira. Suspirei. Fazia sentido, ele me enviar esse uniforme. Vesti-me, prendi o cabelo e saí do anexo, indo direto para o quarto onde Melissa estava.
Ao me aproximar da incubadora, meu coração apertou. Minha pequena dormia tranquila, mas estava cercada de aparelhos e com uma máscara de oxigênio. Ver Mel naquela situação partia algo dentro de mim.
— Como ela está? — perguntei à enfermeira.
— Está reagindo bem — respondeu com calma. — Não se assuste com a máscara de oxigênio. É apenas por precaução. Fora de um hospital, o risco de contaminação é maior. Queremos evitar qualquer bactéria. Ela não tem mais febre. E amanhã vamos coletar sangue e analisar a evolução.
— Que boa notícia. Não vejo a hora de Mel está bem e sem essas coisas todas, ligada nela.
Senti um alívio genuíno, uma esperança se formando no meio do caos que estamos vivendo.
Depois de um tempo, voltei para o quarto e me sentei. Fiquei ali, em silêncio, perdida em pensamentos. Minha vida estava de cabeça para baixo. Eu não tinha nem coragem de pegar o celular e ler as notícias. Tinha medo do que encontraria.
Foi então que ouvi passos firmes no corredor. Meu corpo inteiro reagiu quando senti o cheiro. O perfume chegou antes da presença. Não precisei olhar para saber quem era. Victor parou a poucos passos de mim.
— Elisa — chamou, em tom baixo.
Respirei fundo antes de virar o rosto.
Ele estava diferente. Usava uma camisa simples e uma calça de moletom, algo que eu nunca imaginei vê-lo usar. Estava casual, desarmado e absurdamente gostoso.
As mãos nos bolsos, a postura relaxada demais para quem comandava um país. Meu olhar desceu sem que eu percebesse. Merda.
Aquela calça deixava seu pau evidente de um jeito indecente. Senti um arrepio percorrer meu corpo inteiro. Pensei, sem querer, se ele estava sem cueca. Porque daquele jeito… aquilo estava solto ali. A imagem veio inteira na minha mente, daquele pau dentro de mim, de novo. Me arrepiei.
— Podemos conversar ou você precisa de mais tempo para ficar babando no meu pau? — falou, divertido. Levei um susto, me levantei agitada.
— Não seja ridículo! — disparei. — Eu não estava olhando seu pau. Eu estava pensativa, com o no olhar vazio.
Falei a primeira coisa que me veio à cabeça. E eu sabia que não convencia ninguém.
— Sei…Você sabe que, se quiser olhar mais de perto, é só pedir — disse, sacana.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.