VICTOR BALTIMOR.
Eu sabia que estávamos no meio de uma crise. Uma crise política, familiar e pública. Mesmo assim, seria mentira dizer que meu corpo não reagia à presença de Elisa. Aquela situação toda — o caos, a pressão, o risco — apenas intensificava algo que eu já sentia desde a primeira vez que a tive na minha cama.
Era errado? Talvez. Mas eu não era um homem acostumado a negar impulsos.
Eu a queria de novo. Queria sentir seu corpo se desfazendo sob o meu controle, ouvir sua respiração falhar, saber que, apesar de toda a resistência, ela ainda reagia a mim. Havia algo de perigosamente excitante em saber que, mesmo me detestando em certos momentos, ela não era indiferente.
Elisa ainda me encarava com aqueles olhos verdes arregalados. Surpresa, irritada, confusa. Eu conhecia bem aquela expressão. Sabia exatamente o que causava aquilo nela. E sim, eu estava sendo sacana. Mas que espécie de estrategista eu seria se não soubesse usar todas as cartas à minha disposição?
— Não, definitivamente não. Eu não vou dormir na mesma cama que você — declarou, irritada, quando finalmente se recompôs.
Cruzei meus braços com calma, estudando cada reação. Ela tentava parecer firme, mas seu corpo denunciava tensão.
— Se queremos que nos levem a sério, teremos que ficar no mesmo quarto — respondi, medindo as palavras. — Não se preocupe. Não vou te tocar ou obrigar a nada. A menos que queira.
Pisquei, propositalmente provocador.
— Vai sonhando, senhor primeiro-ministro — rebateu, com deboche.
Aquilo me irritou mais do que deveria. Não pelo título em si, mas pelo tom. Pelo distanciamento que ela insistia em criar quando se sentia acuada.
— Olha só, vamos deixar uma coisa bem clara aqui — falei, a voz mais dura. — Detesto o jeito como você fala do meu cargo no governo. É desrespeitoso. Não quero ouvir isso de novo.
Ela sorriu. Um sorriso lento, debochado, e cruzou seus braços na altura dos seios. O gesto foi automático, mas o efeito em mim não passou despercebido. Era como se fizesse deliberadamente, sabendo exatamente onde atingia.
— É mesmo, senhor primeiro-ministro… — repetiu, provocando. Respirei fundo.
— Elisa… — alertei, impaciente.
— O que foi? Eu não fiz nada. Não sei qual é o problema com a forma como pronuncio seu cargo.
— Não se faça de desentendida. Você faz pouco caso dele.
Ela inclinou a cabeça, avaliando-me, antes de mudar o rumo da conversa — como sempre fazia quando percebia que me atingia.
— Impressão sua. Mas vamos voltar ao que interessa. Eu não vou dormir com você por vários motivos que não vêm ao caso agora. Mas tem algo que você não está percebendo, já que se acha tão esperto. Seu partido é conservador, e eu serei sua namorada. O que acha que vão pensar se morarmos e dormirmos juntos antes do casamento?
Aquilo me pegou desprevenido.
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Ela estava certa. Eu não havia considerado esse detalhe. Minha mente tinha ido direto para outros cenários, outros desejos. E isso me irritou — comigo mesmo.

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