ELISA RIVER.
Demorei alguns segundos para conseguir respirar depois do que Victor disse.
Fiquei parada, imóvel, sentindo o efeito daquelas palavras indecentes, baterem dentro de mim e explodirem. Minha mente gritava que aquilo era absurdo, ofensivo, inaceitável. Mas meu corpo… meu corpo era um traidor descarado e minha vagina, nem se fala, estava piscando feito luz de natal.
Porque, apesar do choque, apesar da indignação, eu o desejava. E isso me enfurecia ainda mais. Ainda mais depois do que me contou sobre a Mel.
Victor Baltimor havia acabado de me propor, sem rodeios, que eu fosse sua amante fixa disfarçada de namorada exemplar. Um acordo sujo, conveniente para ele. Sexo, aparência, controle. Tudo nos termos dele.
E a pior parte? Eu sabia que ele estava acostumado a mulheres que aceitavam. Ele era um dominador nato e gostava de submissão.
Respirei fundo, tentando organizar o turbilhão dentro de mim. Não podia responder no impulso. Não podia deixar que ele percebesse o quanto aquilo me afetava. Victor era predador, não poderia mostrar fraqueza.
Eu sabia exatamente o que ele queria. Meu corpo. Minha disponibilidade. Meu silêncio conveniente. Ele precisava de mim para sustentar uma mentira pública e, de quebra, queria satisfazer seus desejos sem esforço emocional e financeiro, pois eu seria de graça.
Eu não era ingênua. Para ele, eu era uma solução prática. Um problema resolvido na cama.
Meu estômago revirou com esse pensamento de ser objeto sexual.
Mas, ao mesmo tempo, uma ideia começou a se formar, lenta, perigosa, provocadora. Se ele achava que podia me usar… talvez eu também pudesse usá-lo.
Victor era poderoso, dominante, experiente. Um homem que sabia provocar, tocar, levar uma mulher ao limite. Negar isso seria mentir para mim mesma. Meu corpo já tinha aprendido isso da pior — ou melhor — forma.
A diferença é que eu não me entregaria fácil. Nunca. Se bem que me entreguei na primeira vez para ele.
Mas eu não era uma prostituta que ele contratava para aliviar o estresse. Não era um objeto descartável, nem um prêmio de consolação no meio de uma crise política.
Se ele quisesse algo comigo, teria que ser nos meus termos. Pois eu me enganaria, se dissesse que não quero transar com ele de novo e que minha boceta naõ grita pelo pau dele.
Levantei o queixo e o encarei. Victor me observava em silêncio, atento demais, como se estivesse esperando uma explosão. Ou uma rendição. Não daria nenhuma das duas.
— Você só pode estar brincando comigo — falei, finalmente, com a voz firme, apesar do coração acelerado. — Acha mesmo que eu vou aceitar isso desse jeito?
Ele arqueou uma sobrancelha, claramente interessado na minha reação.
— Eu fui honesto — respondeu. — Prefiro assim, expondo o que quero. Não sou de rodeio com meus desejos.
— Não — rebati de imediato. — Você foi arrogante.
Dei alguns passos pelo quarto, precisando me mover antes que minhas pernas cedessem. Precisava pensar, ganhar tempo, recuperar o controle do meu próprio corpo.
— Você fala como se estivesse me oferecendo um favor — continuei. — Como se eu tivesse que agradecer pela oportunidade de… o quê? Aquecer sua cama enquanto você resolve seus problemas?
— Não coloque palavras na minha boca — disse ele, calmo demais.
Cruzei meus braços, imitando um gesto que eu já tinha visto ele fazer tantas vezes.
— Primeira regra: não existe sexo por conveniência. Eu não vou transar com você só porque você quer ou porque acha que me comprou com essa proposta ridícula.
Ele estreitou os olhos, me avaliando.
— Segunda: eu não sou sua propriedade. Nem na frente das câmeras, nem dentro dessa casa. Respeito não é opcional.
Dei mais um passo em sua direção, agora consciente do efeito que causava.
— Terceira — continuei — se algum dia isso acontecer… vai ser porque eu escolhi. Não porque você pressionou, manipulou ou usou a Melissa como desculpa.
— Você está colocando condições demais — ele disse, num tom baixo.
— Não — corrigi. — Estou colocando limites. Coisa que você claramente não está acostumado a ter.
Victor ficou em silêncio. Um silêncio perigoso, denso, carregado de coisas não ditas. Vi algo mudar em seu olhar. Não raiva. Interesse. Isso me confirmou que eu estava no caminho certo.
— Então não — concluí. — Eu não aceito “foder” com você. Mas aceito sustentar a mentira, desde que seja do meu jeito. Com regras. E se isso não te serve… podemos encerrar essa conversa agora. É pegar ou largar.
Meu coração martelava no peito enquanto eu esperava a resposta. Eu o desejava, sim. Muito. Mas, acima de tudo, eu me respeitava. E Victor Baltimor teria que aprender a lidar com isso.

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