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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 34

VICTOR BALTIMOR.

Tenho que admitir: Elisa conseguiu me surpreender.

Eu realmente acreditei que estava diante de uma jovem professora idealista, talvez orgulhosa demais, mas, no fundo, ingênua. Uma mulher que eu conseguiria dobrar com lógica, pressão ou desejo. Bastaria insistir.

Mas eu estava errado. Quando ela começou a impor regras, eu vi que diante de mim não havia nenhuma garota tonta. Havia uma mulher inteligente, calculista, decidida. Elisa sabia exatamente o que estava fazendo, sabia negociar, impor limites e, pior para mim, sabia manter o controle emocional onde eu esperava fragilidade.

Aquilo me atingiu como um choque — e, ao mesmo tempo, acendeu algo perigoso dentro de mim. Gosto de desafios.

— Concordo com as suas regras — respondi, por fim, mantendo a voz firme. — Vamos fazer do seu jeito, senhorita River.

Vi seus olhos se arregalarem por um breve segundo antes de ela recuperar a compostura. Ela claramente esperava resistência, um embate, talvez até uma tentativa de intimidação. Não esperava que eu cedesse tão facilmente. Esse foi o erro dela.

Elisa ainda era ingênua se achava que aquilo era uma rendição. Eu a queria. E queria muito. Precisava daquela mulher na minha cama, sentindo o corpo dela se desfazer sob o meu toque, ouvindo sua respiração falhar, sua falsa resistência ruir. E não, eu não desistiria disso.

Jogaria conforme as regras dela. Por enquanto.

Deixaria Elisa acreditar que havia vencido essa batalha. No fim, eu venceria a guerra. E o prêmio tinha nome, sobrenome e aqueles malditos olhos verdes. O que eu não esperava — de verdade — era o próximo golpe.

Elisa exigiu um contrato.

Um contrato formal, redigido por advogados, lavrado em cartório, com todas as regras claramente especificadas. Cada limite, cada condição, cada consequência. Como se estivéssemos negociando uma fusão empresarial, não uma mentira pública envolvendo poder, escândalo e desejo.

Aceitei porque precisava da cooperação dela. Não havia alternativa.

E então veio a cláusula que quase me fez rir alto: multa de cem mil dólares por cada regra descumprida.

Cem mil. Por regra.

Essa insolente estava claramente tentando ficar rica às minhas custas. Mas não veria um centavo meu. Eu não era burro o suficiente para quebrar regras… minha intenção era outra. Fazer com que ela quebrasse as dela. Porque eu também impus condições.

— O que você quer dizer com “cumprir meus deveres de namorada”? — ela perguntou, desconfiada, os braços cruzados.

— Quero dizer exatamente isso — respondi. — Você precisa estar disponível quando eu precisar de você ao meu lado. Vamos aparecer juntos em público. Às vezes. E uma namorada precisa agradar o namorado.

— Agradar como? — questionou, arqueando a sobrancelha, mãos firmes na cintura.

— Ora, Elisa, estamos fingindo que estamos juntos. Temos que ser convincentes — expliquei, com a maior naturalidade. — Carinho em público. Demonstrações de afeto. Quero que me chame de meu amor, querido… essas coisas que um casal apaixonado fala.

Era baboseira. Eu sabia. Mas tinha um objetivo claro: fazê-la errar. Aplicar multas. Criar dependência. Elisa não tinha onde cair morta. Mais cedo ou mais tarde, ficaria me devendo. E eu cobraria do meu jeito. Ela começou a gargalhar.

— Sério isso, senhor primeiro-ministro? — debochou. — Eu sei exatamente o que você está tentando fazer. E não vai rolar.

— Primeira regra — interrompi, irritado. — Não quero mais que me chame assim.

Ela sorriu. Um sorriso lento, provocador. Aquela mulher estava me testando. Jogando comigo.

Esperta, Elisa. Mas eu sou melhor.

— Está bem — respondeu. — Como devo te chamar?

— Victor. E não estou pedindo nada de mais. Apenas que interprete seu papel. Ou vai recuar agora? — provoquei. — Não imaginei que fosse covarde.

Ela me encarou por alguns segundos, avaliando.

— Victor — repetiu, devagar. — Eu não sou trouxa. Mas aceito suas regras. Se acha que vai me enredar na sua teia, está muito enganado. Quer jogar? Então vamos jogar.

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