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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 36

ELISA RIVER.

Eu e Victor chegamos a um acordo sobre nossa convivência como “namorados”. Sei muito bem que ele está disposto a me ter na cama, não sou tão ingênua quanto Victor pensa. A antiga Elisa, a professorinha boazinha, talvez fosse. Mas a Elisa de agora, não. Enfim, vamos ver no que isso vai dar. Só sei de uma coisa: não serei eu a roer a corda primeiro.

Mel me trouxe de volta à realidade com seu choramingo baixinho. Já se passaram dois dias e minha pequena está bem melhor. Segundo o doutor Mauro, amanhã ela já poderá sair daquele quarto. Melissa não quer ficar longe de mim, e eu tenho passado praticamente todo o tempo ao seu lado. Agora, ela fica mais tempo acordada, observando tudo com aqueles olhinhos atentos.

Olhei para o relógio na parede do quarto e me lembrei de que Victor daria a coletiva de imprensa em poucos minutos. A transmissão seria televisionada. Peguei meu celular e procurei o site que também exibiria a coletiva ao vivo. Mel já estava quase adormecida em meus braços. A coletiva ainda não havia começado, mas as redes sociais já estavam em polvorosa. Pessoas ansiosas, especulando, querendo saber se o primeiro-ministro realmente tinha alguém e uma filha.

Pelo que li nos últimos dias — afinal, se vou interpretar o papel de namorada e mãe da filha de Victor, preciso saber onde estou pisando —, descobri muito pouco sobre ele. Para minha decepção, quase não havia informações pessoais disponíveis. Victor era reservado, excêntrico e extremamente misterioso quando se tratava de sua vida privada. Nem sequer se sabia ao certo onde era seu endereço particular. Apenas que possuía várias casas. E que ficava na casa oficial do primeiro-ministro, mas ninguém sabia aonde se escondia quando não estava lá. O que enlouquecia os bisbilhoteiros.

No fim das contas, descobri apenas que ele era considerado o homem mais cobiçado do Canadá e que raramente era visto com mulheres. Chegaram até a levantar a hipótese absurda de que ele não gostava de mulheres. Sorri de canto. Aquilo era uma grande mentira. Aquele homem gostava, e gostava muito. Eu era a prova viva disso. Suspirei excitada.

Olhei para Mel, que dormia tranquila, e então a coloquei com cuidado na cama. Afastei-me devagar, evitando qualquer ruído, porque Melissa acorda com facilidade. Voltei a me sentar na poltrona e peguei o celular novamente.

A coletiva havia começado.

Victor estava impecável, imponente, seguro de si. Respondia às perguntas com uma tranquilidade irritante. Aquele sonso inventava mentiras sobre nós com uma naturalidade impressionante, e sua cara nem queimava. Quem ouvia, acreditava sem questionar. Ele mentia tão bem que, se eu não soubesse a verdade, também acreditaria.

Definitivamente, políticos mentem. E mentem muito bem. Quando aquele infeliz mencionou casamento, senti meu coração disparar no peito.

— Nem pensar, seu idiota — falei alto, levantando-me da poltrona. Ele não pode estar pensando nisso.

Mel resmungou, incomodada com meu rompante. Meu coração quase parou, com medo de tê-la acordado, mas ela logo se aquietou novamente.

Victor ainda teve a audácia de me pintar para o mundo como teimosa, brigona e difícil de lidar, posando de coitadinho da história.

— Ah, seu infeliz — bufei, irritada.

A coletiva terminou em uma confusão causada por aquele senador. Victor conseguiu virar o jogo magistralmente. Não fiquei surpresa quando surgiu o boato de que ele utilizava serviços de prostitutas. Afinal, aquele idiota realmente usava. E, para completar, ainda chegou a me confundir com uma.

Mal a transmissão acabou, meu celular começou a tocar. Era Ceci. Eu já esperava aquela ligação.

— Não acredito, Eli! Mais uma vez descubro as coisas sobre você e meu tio pela internet. Que espécie de melhor amiga é você, que não me conta nada? — esbravejou do outro lado da linha.

— Calma, Ceci. Isso foi ideia do seu querido tio.

— Me diga a verdade, Elisa. Vocês estão juntos?

— Claro que não! Ficou louca? É só um acordo para acabar com o que estão falando por aí e salvar a carreira do seu tio. Não temos nada.

— Não pareceu isso. Meu tio não mente, e contou a história de vocês com muitos detalhes.

Coitada da minha amiga. Ela realmente não conhecia a peste de tio que tinha.

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