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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 37

VICTOR BALTIMOR.

Eu realmente acreditei que tinha resolvido todos os problemas. A coletiva havia sido um sucesso, Afonso estava temporariamente fora de cena, e o acordo com Elisa parecia, ao menos no papel, sob controle. Melissa estava se recuperando bem. Tudo parecia finalmente encaixado.

Foi ingenuidade minha.

Bastou eu chegar em casa, já tarde da noite, para perceber que o caos tinha apenas mudado de forma.

As luzes da cozinha estavam acesas. Diminutas, suaves. O cheiro de café recém-passado ainda pairava no ar. Elisa estava ali, de costas para mim, vestindo uma camiseta larga e um short simples, o cabelo preso de qualquer jeito. Sobre a mesa, a babá eletrônica ligada, a imagem de Melissa dormindo ocupando tranquilamente a pequena tela. Elisa vigiava minha filha à distância enquanto abria a geladeira e retirava alguns potes, colocando-os sobre a bancada.

Aquela cena doméstica, íntima demais, me atingiu em cheio. Após um dia infernal, pensei no óbvio: nada melhor do que sexo para relaxar. Sorri sacana.

— Nunca pensei que você fosse dessas que atacam a geladeira na madrugada — comentei, encostando no batente da porta, em tom provocador.

Elisa se assustou violentamente. O pote que segurava escorregou de suas mãos e se espatifou no chão.

— Filho da puta! — ela gritou, levando a mão ao peito. — Vai assustar o capeta!

Eu não aguentei. A gargalhada saiu alta, genuína. Nunca, em toda a minha vida, havia ouvido aquela parte do capeta. Ninguém havia falado comigo daquele jeito. E, para minha própria surpresa, eu achei… engraçada sua reação.

— De onde saiu você? — murmurei entre risos. Elisa era uma garota única.

Ela se abaixou para recolher os cacos de vidro, resmungando palavrões que me fizeram rir ainda mais. Me abaixei para ajudar. Então, aconteceu tudo muito rápido.

— Ai! — reclamou, ao se levantar bruscamente.

No mesmo movimento, sua cabeça colidiu com força contra o meu rosto.

— Porra! — exclamei, levando a mão ao nariz. — Sua desastrada!

— Ninguém mandou você estar tão próximo — rebateu, irritada. — E você que machucou a minha cabeça com a sua!

Meu nariz latejava. Quando tirei a mão, vi o sangue.

— Olha o que você fez, sua estabanada!

Elisa arregalou os olhos. Em dois passos, estava à minha frente, pegando um pano de prato e pressionando contra o meu nariz.

— Fique quieto e levante a cabeça — ordenou. — Isso vai parar o sangramento.

— Esse pano está sujo… cheirando a alho — reclamei.

— Um cheirinho de alho não vai te matar, seu rabugento — respondeu, sem paciência.

Não gostei do tom. Do descaso. Mas gostei do fato de ela estar ali, cuidando de mim. Próxima demais. Íntima demais.

— Sente-se — disse ela. — Assim fico na sua altura.

Obedeci.

Elisa ficou em pé entre minhas pernas. Próxima. Muito próxima. Seus seios ficaram exatamente na altura do meu rosto, e a tentação foi imediata, quase física. Por um instante, esqueci completamente as regras. Esqueci o contrato. Esqueci o acordo. Mas me contive. Não queria ser o primeiro a quebrá-las.

Quando o sangramento cessou, ela me encarou. Percebeu meu olhar fixo nela e se afastou rápido, visivelmente sem jeito.

— Você já está bem — disse, tentando soar firme. — Deveria tomar mais cuidado.

— Eu? — rebati. — Foi você que me atingiu quando eu tentei ajudar.

Foi então que me lembrei.

— Seu dedo — falei, segurando seu braço.

Ela se assustou e tentou se soltar.

— Me solta!

Puxei-a um pouco mais para perto e examinei sua mão. Havia um corte pequeno, mas profundo, no dedo.

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