ELISA RIVER.
O chão pareceu se abriu sob meus pés. Não podia ser. Ele me reconheceu no mesmo piscar de olhos.
Aquele homem — o mesmo que tinha me fodido contra a parede de um quarto escuro, que tinha me feito gozar até eu esquecer meu próprio nome — era Victor Baltimor, o primeiro-ministro, pai da Mel e tio da minha melhor amiga. As narinas dele dilataram, o rosto ficou vermelho de fúria, e ele avançou como um touro enfurecido.
— Como diabos você entrou na minha casa? — rosnou, o tom era de pura raiva.
Melissa resmungou no meu colo, acordada pelo barulho. Entreguei ela rapidinho para a funcionária que surgiu do nada e desapareceu com a criança em segundos.
— Como deixaram essa mulher entrar aqui? — berrou ele para a mãe, que congelou no lugar.
Antes que alguém pudesse respirar, ele agarrou meu braço com força suficiente para deixar marcas e me arrastou pelo corredor como se eu fosse lixo.
— Me solta agora, seu idiota! — sibilei, me debatendo, as unhas cravadas no braço dele.
Ele apertou mais. Doeu. Mas eu não ia dar o gostinho de gemer. Chegamos à sala principal. A senhora Abigail veio correndo atrás, o seu rosto estava pálido.
— Victor! O que você pensa que está fazendo com a Elisa?
— Agora não, mãe! Preciso me livrar dessa invasora insolente!
— Pare com isso imediatamente! Ela é a nova babá da Melissa!
Ele parou tão de repente que quase tropecei. Me soltou como se me tocar o queimasse. Se virou para mim, os olhos azuis me fuzilando como se quisessem me incinerar.
— O quê?
— É verdade — disse Abigail, firme. — Ela foi indicada pelo seu irmão e pela sua cunhada.
Victor me mediu de cima a baixo, a veia latejando no pescoço.
— Você é a recomendação deles? — perguntou, a voz carregada de desconfiança.
— Sou — respondi, sustentando o olhar, o queixo erguido. A raiva queimava no meu peito como brasa viva. Ele respirou fundo. As mãos fecharam em punhos.
— Você está dispensada. Não quero gente da sua laia perto da minha filha.
As palavras bateram como um tapa e meu sangue ferveu imediatamente. Quem esse infeliz pensa que é para me tratar assim? Não vou levar desaforo para casa.
— Pois eu também não quero trabalhar para um babaca arrogante como você! — disparei de volta. Ele abriu a boca para retrucar, mas sua mãe se meteu no meio.
— Pelo amor de Deus, Victor, se acalme! A Melissa gostou da Elisa. Você viu como a menina estava calma no colo dela? Ninguém mais conseguiu isso!
Ela riu. Uma risada seca, cheia de desprezo.
— Você é um doente filho da puta. Sabe que mais? Eu não preciso escutar suas acusações idiotas e nojentas. Me demito. E vá para o inferno. — esbravejou, me pegando de surpresa, nunca imaginei que fosse tão desaforada. Ela virou e foi até a porta, mas parou e virou só o suficiente para me olhar por cima do ombro.
— Ah, e mais uma coisa: você é um fiasco na cama. Meu vibrador me faz gozar mais rápido e mais forte que seu pauzinho. — declarou e ainda fez um gesto insinuando que ele era pequeno. E saiu batendo a porta com força suficiente para fazer as paredes tremerem.
Fiquei ali, o sangue pulsando nas têmporas, o pau duro traindo toda a raiva que eu sentia. Quem essa mulher pensava ser para me falar assim? Pensei em ir atrás daquela diaba e lhe dar uma lição pelo desaforo. Mas não valia a pena.
Minha mãe invadiu o escritório, minutos depois, desesperada com a “demissão da única babá que Melissa aceitou”. Deixei ela falar e lamentar o quanto quis. Prometi que arrumaria outra pessoa para acalmá-la. Assim que ela saiu, peguei o celular, chamei meu assistente.
— Pablo, investigue tudo sobre Elisa River. Quero tudo. Quero saber cada detalhe da vida dessa mulher. — Ordenei. Descobriria cada segredo daquela diaba, a colocaria nas minhas mãos — e aí, sim, tiraria proveito e a faria se desculpar pelo insulto.
Horas depois, eu tentava trabalhar, mas os berros de Melissa atravessavam a casa inteira. Minha mãe deixou a porta aberta de propósito — um castigo sutil. Bufei, irritado.
Uma tosse na porta, chamou minha atenção. Pablo, estava parado e parecia nervoso.
— Fala logo. O que descobriu sobre a garota-problema?
— Senhor… tivemos um engano. A mulher daquela noite não era garota de programa. Era a professora de educação infantil Elisa River. Melhor amiga da sua sobrinha Cecília. Ela… não mentiu em nada. — largou a bomba, encolhendo-se. Eu me levantei num salto, o copo quase caindo da mão.
— Puta que pariu.

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