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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 5

ELISA RIVER.

Saí daquele escritório bufando de raiva, o coração batendo tão forte que parecia querer explodir o peito. As palavras dele ainda queimavam na minha cabeça — puta interesseira, oportunista, golpe… Cada acusação era um tapa na cara, e eu, que já tinha sido chutada da minha própria casa, agora era tratada como lixo por um homem que tinha me fodido até eu gritar.

A senhora Abigail me interceptou no corredor, os olhos arregalados de preocupação ao me ver tremendo inteira.

— Elisa, querida, o que aconteceu? Você está branca como papel.

— Eu me demiti — disparei, a voz rouca de tanto engolir a raiva. — Nunca, em um milhão de anos, trabalharia para o seu filho babaca. Desculpe me linguajar, senhora, mas ele passou de todos os limites.

Ela abriu a boca para falar, mas eu já estava pegando minha mala que ainda estava largada na sala de entrada. O peso dela era nada comparado ao nó que apertava meu peito por ser humilhada.

— Espere, por favor — Abigail suplicou, as mãos me segurando pelo braço. — Vamos conversar. Victor é impulsivo, mas pense na Melissa. Ela estava tão calma com você… ninguém mais conseguiu isso.

Ela está achando que pode me fazer mudar de ideia, falando da criança? Hoje não, talvez a antiga Elisa, caísse nessa, mas eu não.

— Sinto muito pela Mel. De verdade. Mas nunca fui tão humilhada na vida. Seu filho me tratou como se eu fosse uma vadia qualquer que ele pegou na rua. Isso me destruiria se eu ficasse. E eu tenho vergonha na cara.

Abigail baixou a cabeça, o rosto marcado por uma tristeza. E assentiu devagar.

— Entendo… sinto muito, Elisa. Pelo menos deixe que o motorista te leve.

Ela chamou o mordomo com um gesto rápido, deu as ordens em voz baixa. Saí daquela mansão imponente ainda fervendo por dentro, o estômago revirado ao lembrar do toque dele no meu braço — aquele mesmo toque que, horas antes, eu havia amado na escuridão da festa.

Meia hora, depois, o automóvel me deixou na porta de um hotelzinho charmoso no centro da cidade. Agradeci em silêncio pelo dinheiro que eu tinha guardado — aquela reserva que juntei centavo por centavo para pagar a hipoteca da casa. Agora ia servir para me manter viva até achar outro emprego. Porque, vamos combinar, meu azar estava de marca maior.

A recepcionista uma senhorinha, foi um amor, me deu um quarto simples no terceiro andar. Entrei, joguei a mala no canto, desabei no sofá e deixei o corpo afundar. Não chorei. Não ia dar esse gostinho para ele. Só fiquei olhando para o teto, repetindo mentalmente cada insulto que eu queria jogar na cara dele se um dia cruzasse com ele de novo.

Tomei um banho quente, longo, tentando levar embora as marcas invisíveis daquela humilhação. A água escorrendo pelo corpo lembrava dedos… e eu odiei que minha mente traidora voltasse para aquela noite. Desci para o restaurante do hotel, comi uma salada que nem senti o gosto, e voltei para o quarto.

CAPÍTULO SEIS — A HUMILHAÇÃO. 1

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