VICTOR BALTIMOR.
Deixei Elisa no quarto de Melissa. Achei melhor ter essa conversa com meu irmão e minha cunhada sem ela por perto. Já bastava a tensão que eu sentia; não precisava acrescentar uma variável explosiva.
Quando cheguei ao andar térreo, Thomas estava em pé, de braços cruzados, com a expressão fechada, enquanto Eleonor permanecia sentada no sofá. Ela estava impecável, como sempre. Eleonor era uma mulher de cinquenta anos que aparentava trinta: elegante, imponente, distinta. Sempre teve uma presença que impunha respeito sem esforço.
Assim que Thomas me viu, fez uma careta nada amistosa. Por um instante, senti-me como um garoto prestes a ser repreendido pelo irmão mais velho. Eleonor se levantou ao me notar e veio me abraçar. Diferente de Thomas, ela estava calorosa comigo.
— Vic, meu cunhado preferido. Como você está?
— Você sabe que sou seu único cunhado que tem. E não me chame assim em voz alta, Eleo. Não pega bem — reclamei. Detestava aquele apelido, mas como foi ela que me deu, eu aceitava. Sempre aceitei, mas somente ela podia me chamar assim.
Retribui o abraço e rimos juntos. Nos afastamos ao ouvir Thomas resmungar. Eleonor lançou-lhe um olhar firme e falou com um sorriso paciente:
— Deixe de ser rabugento, Thom. Venha cumprimentar seu irmão. Onde estão seus modos?
Thomas suspirou, descruzou os braços e se aproximou. Cumprimentamo-nos com um aperto de mão e um abraço apertado. Nós sempre nos demos bem, éramos inseparáveis, bons amigos e irmãos. Quando nos afastamos, o olhar que me lançou era duro.
— Muito bem. Já passamos pela parte da recepção. Agora gostaria de saber que merda você pensa que está fazendo. Eu pedi para cuidar da Elisa, não para seduzi-la — esbravejou, irritado, o dedo quase apontado para o meu peito.
— Vamos conversar no escritório — respondi, mantendo a calma.
Eles me seguiram. Assim que fechei a porta, Thomas voltou a falar, sem me dar tempo.
— Comece a falar. Como teve coragem de aliciar uma garota, com idade para ser sua filha? Elisa é a melhor amiga da sua sobrinha. Nós a temos como sobrinha e irmã da Cecília. Prometi ao pai de Elisa que cuidaria dela. Confiei em você e descubro pelas redes sociais que está namorando a garota e ainda tem uma filha com ela. Que merda é essa, Victor?
— Se você me deixar explicar, vai entender — respondi, já sentindo a pressão no peito.
— Querido, se acalme e sente-se. Deixe o Vic se explicar — interveio Eleonor, com a voz firme.
— Você sempre passando a mão na cabeça dele — retrucou Thomas, contrariado, antes de se sentar. Eleonor sorriu para mim, e eu agradeci com um leve aceno.
— Irmão, tudo o que eu disse na coletiva foi a saída que encontramos para conter a crise e os boatos sobre mim e Elisa. Ela foi vista comigo no hospital quando minha filha foi internada. O senador Afonso Martone inventou diversas mentiras sobre nós, e mamãe achou que a melhor solução seria admitir estarmos juntos e que Elisa era a mãe da Melissa.
Thomas se levantou de súbito.
— Espere. Mamãe já sabia de tudo? E ainda te acobertou? Foi ela quem teve essa ideia? — perguntou, chocado.
— Sim.
— Onde vocês estavam com a cabeça ao envolver a Elisa nisso?
— Thomas, deixe-me contar desde o início.
— Então comece.
Contei tudo. Desde o meu envolvimento com a mãe de Melissa até o ponto em que nos encontrávamos agora. Não omiti fatos essenciais, apenas organizei a história da forma mais objetiva possível. Quando terminei, Eleonor estava boquiaberta, e Thomas, sério como uma rocha.
— Eu sabia que se envolver com prostituta ia dar merda uma hora — disparou Thomas. — Olha o resultado. Minha sobrinha, uma bebezinha, no meio dessa mentira toda. E ainda arrastou a Elisa para isso. Parabéns, meu irmão, pela cagada monumental.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.