VICTOR BALTIMOR.
Eu ainda estava chocado com o absurdo que acabara de ouvir. Casar? Eu? Nem fodendo.
— Devo ter ouvido errado — pronunciei, apenas quando consegui sair do estado de choque.
— Não seja por isso — Thomas respondeu, impassível. — Repito para que escute bem: você vai casar com Elisa e reparar seu erro.
Comecei a rir, descrente, como se ele tivesse contado a piada mais sem noção do mundo.
— Nem fodendo eu vou casar. Você só pode estar louco se acha que isso vai acontecer.
Thomas me encarou com frieza, sem traço algum de humor.
— Pois você vai casar, sim. Você seduziu e desonrou Elisa. E não venha com essa conversa de comum acordo. Eu sei muito bem como você age com suas presas. Você é um cafajeste, Victor. Seduz, usa e dispensa. Mas não vai fazer isso com Elisa — declarou, firme.
— Eu não desonrei ninguém — rebati, sentindo o sangue ferver. — Elisa não era virgem. Alguém chegou antes de mim ali, meu irmão. E ela não é nenhuma donzela indefesa.
— A questão aqui não é só sexo! — ele esbravejou. — É o fato de você ter colocado Elisa na boca do povo. Foi você quem a jogou no olho do furacão. Maldita hora em que fui te pedir para empregá-la. Eu achei que, com você, ela estaria segura e poderia recomeçar depois de toda a merda que viveu por causa daquele banqueiro maldito.
Eu havia lido no relatório que Pablo me entregou sobre o que Elisa enfrentara nos Estados Unidos. Fora injustiçada, teve a vida destruída, perdeu a casa e ainda era perseguida por Alfredo Star, do banco Prime, ele a queria destruir. Suspirei pesado. Vendo por esse ângulo, eu havia realmente sido um crápula com ela.
— Thomas, eu entendo sua revolta — falei, tentando manter a razão —, mas você não pode me obrigar a casar.
— É mesmo? — Ele sorriu de lado, sombrio. — Então eu acabo com sua chance de terceiro mandato. Revelo toda a verdade.
Um frio percorreu minha espinha. Ele não estava blefando.
— Você não pode fazer isso.
— Quer pagar para ver? — provocou. — Você sabe que eu não blefo.
Respirei fundo, tentando pensar com clareza.
— Se fizer isso, não vai prejudicar só a mim, mas Melissa. Vai ter que revelar quem é a mãe dela.
Eu odiava usar minha filha como argumento, mas não podia permitir que ele cumprisse aquela ameaça.
— Você realmente vai usar sua filha como escudo? — Thomas retrucou, indignado. — Não tem vergonha?
— Estou pensando em Melissa, não só em mim.
— Então você tem até amanhã para pedir Elisa em casamento — decretou. — Caso contrário, eu destruo sua carreira política. E depois vou pedir a guarda de Melissa. Você não vai chegar perto da sua própria filha.
Senti um aperto violento no peito.
— Não ouse — rosnei. — Ou, por Deus, nós teremos uma guerra.
— Chega! — gritou Eleonor, nos fazendo estremecer. Ela nunca se exaltava.
— Vocês parecem duas crianças birrentas — continuou, furiosa. — Não vivemos mais na época em que o machismo reinava. Nós, mulheres, temos voz. Não serão vocês que decidirão o destino de Elisa. Por acaso perguntaram o que ela quer?

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