ELISA RIVER.
Victor saiu para receber os pais de Cecília, e eu permaneci no quarto com as enfermeiras e Melissa. O ambiente estava silencioso, iluminado pela luz suave dos equipamentos. Falávamos baixo para não acordar Mel, que dormia tranquila, finalmente sem aquele semblante de dor que vinha me rasgando por dentro nos últimos dias.
Kelly e Joyce conversavam comigo enquanto checavam os monitores.
— O doutor Mauro comentou, quando esteve aqui mais cedo — disse Kelly, em tom calmo. — Se o quadro da Melissa continuar evoluindo assim, em dois dias ela pode receber alta desse quarto e tirar os aparelhos.
Meu coração quase saiu pela boca.
— Alta? — sussurrei, segurando a emoção.
— Sim — confirmou Joyce, sorrindo. — Ela poderá ir para um quarto comum e não precisará mais de todas essas medicações.
Levei a mão à boca, os olhos marejados. A felicidade veio misturada com alívio. Eu só conseguia pensar que, finalmente, Mel não precisaria mais ser furada tantas vezes ao dia. Cada picada era como se atravessassem meu próprio corpo. Cada choro dela me dilacerava e me enfurecia, mesmo sabendo que tudo aquilo era necessário para o bem da minha pequena.
— Graças a Deus — murmurei, sentindo o peito apertar. — Ela já sofreu demais.
As enfermeiras sorriram compreensivas, e continuamos conversando amenidades, depois que a euforia pela notícia passou. Minha cabeça foi para longe dali. Meus pensamentos iam direto para a conversa que Victor estava tendo com tio Thomas e tia Eleonor. Eu sabia que eu era o motivo da visita deles. Sabia que o assunto era Victor, eu e nosso relacionamento inexistente. E isso me deixava inquieta, curiosa, ansiosa demais.
Eu queria estar lá. Queria ouvir, participar, entender. Mas Victor havia me deixado para trás. Bufei mentalmente.
Os minutos se arrastavam, e minha curiosidade só aumentava. Eu fingia tranquilidade, mas por dentro estava fervendo. Até que a porta se abriu. Victor surgiu, mas não entrou no quarto. Me olhou e falou direto.
Entendi o recado imediatamente. Saí do quarto, deixando Mel aos cuidados das enfermeiras, e o segui. Entramos no quarto no meu quarto e de Mel, e assim que a porta se fechou, ele soltou a bomba. Senti o chão sumir sob meus pés.
— Repete — falei, boquiaberta. — Acho que não ouvi direito.
— Meu irmão quer nos casar — declarou, seco. — Acha que te desonrei e quer uma reparação.
Por alguns segundos, fiquei em silêncio. Depois, comecei a gargalhar, incrédula.
— Vocês só podem estar loucos.
Victor cruzou seus braços, visivelmente irritado.
— “Vocês”, não. Essa ideia absurda não foi minha. Eu também não concordo. Mas meu irmão está me ameaçando: ou eu caso com você, ou ele acaba com a minha candidatura. Minha cunhada não concorda com ele e disse que essa decisão cabe a você.
Meu sangue ferveu.
— Tia Eleonor está certa — declarei, indignada. — Quem decide meu destino sou eu, não vocês dois. Vou dizer ao tio Thomas que não quero casar com você. Imagina se vou fazer uma besteira dessas.
Victor arqueou a sobrancelha, claramente ofendido.
— O que há de errado em casar comigo? — questionou. — Eu sou um belo partido. As mulheres fazem fila querendo casar comigo.
Soltei uma risada curta, sem humor.
— Pode até ser. Mas essa mulher aqui não quer entrar nessa fila. Você é arrogante, mulherengo, mandão e ainda por cima político. Não dá a mínima para os sentimentos das mulheres que leva para a cama, é um péssimo pai e seria um péssimo marido. Que futuro eu teria ao seu lado? Vou te responder: infelicidade. Estou passando. Não quero o seu tipo de homem na minha vida. E, para completar, você é narcisista.
As palavras saíram como facas. Por um breve segundo, vi algo diferente em seu olhar. Algo ferido. Aquilo me surpreendeu. Mas logo ele retomou a postura imponente de sempre.
Mas Thomas não parecia satisfeito. Vi quando um sorriso de canto surgiu em seus lábios, rápido demais. Seu olhar mudou. Eu já tinha visto aquilo antes. Sempre vinha bomba depois.
— Não vamos, não — declarou. — Elisa e Victor vão se casar. É a única solução.
— Mas eu não quero casar com o Victor — falei imediatamente.
— Eu sei que não quer, e não te culpo — respondeu Thomas, calmo demais. — Victor não é um bom partido. Mas, se não casar com ele, Melissa vai sofrer. Imagine aquela bebê criada por um homem que vive enfiado na política e só pensa em si. Sei que será difícil no começo tolerar esse insuportável, mas você consegue mudar meu irmão para melhor.
— Eu não amo seu irmão, tio Thomas — declarei, sentindo a voz tremer. — Não me caso sem amor.
Victor me lançou um olhar que parecia magoado. Aquilo me pegou desprevenida. Mas logo ele desviou o olhar, como se quisesse me evitar.
— Thomas, pare de forçar — disse ele, seco. — Não está vendo que isso não vai dar certo?
— Se é assim — Thomas respondeu, frio —, não me resta outra escolha. Victor, você terá um mês para conquistar Elisa. Caso contrário, eu destruo sua carreira.
Senti um calafrio.
— E você, Elisa — continuou, olhando diretamente para mim —, saiba que a felicidade de Melissa está nas suas mãos. Quando toda essa mentira que Victor inventou vier à tona, todos saberão a verdade sobre minha sobrinha.
Arregalei os olhos, assustada.
Eu não podia acreditar. Tio Thomas, aquele homem doce e aparentemente bondoso, acabara de fazer uma ameaça velada. Ou Victor me fazia amá-lo e eu o aceito como esposo, ou Melissa sofreria as consequências.
Parece que não é só Victor que é perigoso nessa família. Parece que todos da família Baltimor eram loucos.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.