ELISA RIVER.
Eu estava em choque. Meu coração batia descompassado enquanto tentava processar tudo o que acabara de ouvir. Tio Thomas estava mesmo me chantageando?
— O senhor está nos chantageando? — perguntei, ainda incrédula.
— Que isso, Elisa, essa palavra é muito forte — respondeu com uma calma irritante. — E não, não estou chantageando ninguém. Só estou dando a escolha certa a vocês.
Abri a boca para retrucar, mas Victor foi mais rápido. Ele explodiu.
— Nunca pensei que fosse tão dissimulado, meu irmão. Você me acusou de querer usar a Melissa como escudo e agora está usando minha filha para nos obrigar a aceitar essa sua decisão absurda.
— Vocês estão exagerando — disse Thomas, tranquilo demais.
— Exagerando? — Victor elevou a voz e virou-se para a tia Eleonor. — E você, Eleo? Concorda com a solução do seu marido?
— Claro que não — respondeu imediatamente. — Thomas, isso não é certo. Você não pode obrigá-los a ficarem juntos e ainda usar nossa sobrinha para isso.
Thomas suspirou, impaciente.
— Amor, eu sei o que estou fazendo. Acho que essa conversa já acabou. Já dei meu recado e espero que vocês cumpram suas partes. Agora vamos, preciso descansar, a viagem foi longa.
Ele saiu do escritório como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse virado nossas vidas de cabeça para baixo em poucos minutos. Tia Eleonor nos olhou com pesar.
— Me desculpem. Vou tentar convencê-lo a desistir desse plano terrível.
Disse isso antes de sair atrás do marido e fechar a porta. Fiquei encostada na mesa, completamente atordoada. Minha cabeça girava, o peito doía. Então, de repente, um copo voou contra a parede, estilhaçando-se e me fazendo dar um sobressalto.
— Se Thomas pensa que me venceu e que vai me obrigar a fazer o que ele quer, está muito enganado! — Victor esbravejou, fora de si.
Eu nunca havia visto aquele lado dele. Desde que o conheci, Victor sempre foi controlado, frio, arrogante e inabalável. Nada parecia tirá-lo do eixo. Nem toda a confusão que estávamos vivendo com a mídia. Mas agora… agora ele estava diferente. Descontrolado. Agressivo.
Percebi, naquele instante, que o ponto fraco dele tinha nome: Thomas.
Fiquei imóvel, em silêncio, esperando a fúria passar. Não fiz movimentos bruscos. Eu me sentia como se estivesse presa em um cercado com uma fera enfurecida. Victor varreu tudo de cima da mesa com um braço só, jogando objetos no chão. Em seguida, socou a parede várias vezes. Vi sua mão se machucar, a pele se abrir e o sangue escorrer, mas não me aproximei. Tive receio. Medo de que, naquele acesso de raiva, ele acabasse me ferindo sem sequer perceber.
Depois de alguns segundos — que pareceram uma eternidade — ele parou. Encostou a testa na parede, respirando fundo, tentando se controlar. Ficamos assim por alguns minutos. Até que ele virou o rosto na minha direção e pareceu só ter percebido minha presença ali, naquele momento.
— O que você ainda está fazendo aqui? — disse com uma frieza que me causou calafrios. — Já deveria ter saído.
— Até queria sair correndo — respondi, com a voz baixa —, mas tive receio de ser atingida por você se tentasse.
Ele foi até o armário de bebidas, pegou uma garrafa, abriu e levou direto à boca e se jogou na cadeira. Tomou um longo gole, depois afastou a garrafa e me encarou.

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