ELISA RIVER.
Cecília havia enlouquecido. Essa era a única explicação possível para aquela sandice absurda.
— Você ficou maluca? Isso é sequestro! — declarei, nervosa, assim que consegui me recuperar do choque.
— Não seja exagerada, Eli — respondeu com a maior calma do mundo. — Eu só vou levar minha priminha para viajar, acompanhada da babá dela.
— Você perdeu o juízo — falei, assustada, encarando-a. — Seu tio nos encontra com uma ligação. Uma única ligação. E manda a gente direto para a cadeia.
— Meu tio nunca faria isso. Como me contou, ele está mentindo para todos sobre a mãe de Melissa e te apresentou como mãe dela. Ele não vai acionar a polícia, não vai querer que descubram toda essa mentira que ele inventou, isso poderá destruir sua campanha eleitoral. Então vai manter tudo abafado e não fará nada conosco.
— Com você, talvez não — rebati de imediato. — Mas comigo, ele faria sem pensar duas vezes. Ainda mais agora que me odeia.
— Eli, se acalma e me deixa explicar o plano.
— Não existe plano nenhum, Cecília. Isso é errado, criminoso e vai terminar muito mal.
— Não vai.
— Ah, é mesmo? — ironizei. — E como você pretende embarcar com um bebê sem documentos e sem autorização dos pais? No primeiro aeroporto em que solicitarem os documentos da Mel e virem que não temos nada, a polícia é acionada. E, se por algum milagre a gente conseguir ir longe, seu tio nos encontra e acaba comigo.
— Que isso, Elisa. Meu tio não é nenhum mafioso. Ele não vai te matar.
— Tenho minhas dúvidas depois de hoje — retruquei seca. — Esquece essa loucura. Vou pedir demissão depois que a Mel se recuperar e nunca mais quero saber de Victor Baltimor.
— Não, Eli. Não podemos deixar a Mel para trás. Eu tenho um plano infalível. Só me escuta.
Senti um arrepio só de ouvir aquela frase.
— Fala logo suas loucuras — pedi, sem paciência.
— O plano é o seguinte: vamos aguardar três semanas, até Melissa estar totalmente recuperada. Nesse tempo, eu vou conseguir o local e as passagens para nós.
— Ah, claro — falei com deboche. — E pretende comprar tudo no cartão de crédito?
— Não seja estúpida, amiga — respondeu revirando os olhos. — Assim eles nos rastreariam em minutos. Eu tenho uma boa reserva de dinheiro. Vou pagar tudo em espécie, sem deixar rastro nenhum.
Suspirei contrariada. Pelo menos burra ela não era.
— Está bem. Mas como pretende conseguir casa e passagens sem usar seu nome?
— Eu tenho contatos — respondeu, baixando um pouco a voz. — Eu transei com um cara que pode nos ajudar. A família dele é do ramo imobiliário. Ele consegue uma casa no fim do mundo, por uma boa quantia.
Meu estômago revirou.
— E o que te dá tanta certeza de que ele não vai te entregar para seu pai ou para seu tio?
— Eu sei uns podres dele — disse, sorrindo friamente. — Ele se envolveu em coisas erradas e não vai querer que os pais descubram.
Naquele instante, Cecília parecia assustadoramente com Thomas… e com Victor.
— Não mesmo, Ceci. Não vamos nos envolver com bandido. Quando você conheceu esse cara?
Ela hesitou por um segundo.
— Foi naquela viagem que fiz sozinha para o Texas, lembra? — confessou. — Conheci o Yago lá. Eu meio que escondi isso de você. Sabia que não ia aprovar e ainda ia me dar aquele sermão.

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