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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 46

VICTOR BALTIMOR.

Eu estava com uma raiva surda, corrosiva, por ser encurralado e obrigado a fazer exatamente o que Thomas queria. Precisava extravasar tudo o que estava sentindo. Soquei a parede repetidas vezes até a mão arder e o sangue escorrer pelos nós dos dedos. A dor física era irrelevante diante da fúria que me consumia. Eu não via saída para a situação em que meu irmão havia me colocado, e isso me enfurecia ainda mais.

Gradualmente, comecei a me acalmar. Foi então que senti aquele olhar. Quando virei a cabeça, ela estava ali, me observando assustada. Aquilo me quebrou por dentro. Eu não queria provocar medo nela. Não queria que Elisa me visse daquele jeito, exposto, descontrolado. Ela havia presenciado minha fraqueza, e isso não era aceitável para mim. Foi então que fiz o impensável: ataquei. Usei da grosseria, da crueldade, de tudo o que podia para afastá-la.

Eu sabia que estava sendo maldoso. Via claramente em seus olhos, o quanto minhas palavras a feriam. Quando ela saiu correndo, tomada pelas lágrimas, senti um peso no peito que não consegui ignorar. Joguei-me na cadeira, exausto.

— Muito bem, Victor — murmurei para mim mesmo. — Você acabou de destruir qualquer chance que tinha de levar Elisa para a cama, ou que ela te ajudasse.

Eu sempre fui arrogante, rude, insensível. Nunca me importei com o impacto das minhas palavras. Mas, dessa vez, foi diferente. O que eu disse para Elisa me incomodou profundamente. Suspirei pesado. O estrago estava feito, e não havia como retroceder naquele momento.

Talvez fosse melhor assim. Manter distância. Criar uma barreira. Eu precisava focar em resolver aquela situação sem ser obrigado a casar com Elisa para salvar minha carreira política.

Foi nesse momento que Átila entrou no escritório e ficou parado, observando-me em silêncio. Ele era muito mais do que um simples mordomo. Trabalhara por anos na casa dos meus pais, me viu crescer, me tornar homem. Quando terminei a faculdade, comecei a trabalhar e comprei minha primeira casa, fiz questão de trazê-lo comigo.

Átila era amigo, conselheiro, confidente. Sempre esteve ao meu lado nos piores momentos, oferecendo palavras sábias quando eu mais precisava.

— Vejo que o senhor está tendo um péssimo dia — disse com aquela calma quase paternal. — Posso ajudar em algo?

— Talvez com um conselho, meu amigo.

Ele fechou a porta com cuidado, aproximou-se e sentou-se à minha frente.

— O que está acontecendo?

— Eu sei que você sabe tudo o que acontece nesta casa — comentei, esboçando um sorriso cansado. Nada escapava aos olhos e ouvidos atentos de Átila.

— Pode ser — respondeu serenamente. — Mas prefiro ouvir do senhor.

— Como sempre, extremamente discreto — admiti. — Vou te contar tudo. Preciso de ajuda, porque não sei o que fazer.

Comecei a narrar tudo: meu envolvimento com Elisa, mesmo sabendo que algumas partes ele já conhecia. Quando falei dela, percebi o leve sorriso em seus lábios, como se confirmasse algo que já suspeitava. Contei sobre a chantagem de Thomas, sobre a conversa recente, sobre o casamento imposto. Quando terminei, Átila me observava com seriedade.

— E então? — perguntei.

— Posso ser sincero, senhor?

Eu detestava quando ele me chamava assim.

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