VICTOR BALTIMOR.
Após a conversa com Átila, saí de casa e fui direto para o meu gabinete. Assim que cheguei, encontrei Pablo à minha espera. Sua expressão era tudo, menos boa. Antes mesmo que ele pudesse abrir a boca, fui eu que comecei.
— Por que não fui informado sobre o rumo que as coisas tomaram? — questionei, irritado. — Tive que saber pelo meu irmão que Elisa está sendo atacada na internet. Eu te pago para me informar de tudo.
— Desculpe, senhor — respondeu, visivelmente nervoso. — Eu só vi isso há pouco, estava lidando com outro problema.
Respirei fundo, já sentindo que a resposta não me agradaria.
— Que outro problema? — perguntei, seco.
— O líder do partido ligou — disse com tensão evidente. — Parece que o partido não está nada satisfeito com a situação do senhor e da senhorita River. Eles acreditam que só existe uma solução para sua permanência no partido.
— Como é? — ironizei, sentindo o sangue ferver. — Aquele bando de sanguessugas está ameaçando me tirar do partido? Esqueceram que sou eu quem mantém aquela merda de pé?
— Eles temem que a opinião pública fique contra o senhor e prejudique o partido — explicou. — Muitos conservadores não estão gostando do que estão falando sobre Elisa nas redes sociais.
— Já descobriu quem está espalhando essas mentiras? — perguntei, irritado.
— Ainda não, senhor. Só sabemos que tudo começou logo após a prisão de Afonso.
— Víbora maldita — rosnei. — Tinha que ser aquele infeliz. Já que não pode mais me atacar, resolveu mudar o alvo.
— Ainda não conseguimos ligar diretamente as fontes a ele — continuou Pablo. — Mas estamos investigando. De qualquer forma, temos um problema maior com o partido.
— Fale logo — ordenei sem paciência.
— Eles exigem que o senhor se case com a senhorita River para conter o falatório dos conservadores — revelou, quase se encolhendo.
— Aqueles desgraçados ousam querer me dizer o que fazer? — gritei, socando a mesa com força.
Já não bastava Thomas. Agora o partido também queria decidir minha vida. Merda. Eu estava encurralado, sem saída. Bufei, passando a mão pelo rosto, enquanto Pablo mantinha uma distância cautelosa. Então uma ideia surgiu.
— Pablo, seja sincero comigo — falei, mais contido. — Eu consigo seguir com a campanha solo neste momento?
— Senhor? — ele pareceu confuso.
— Quero saber se, eu sair do partido conservador agora, ainda consigo o terceiro mandato.
Pablo pensou por alguns segundos antes de responder.
— Bem, senhor… os eleitores conservadores já não são maioria nesta eleição. Eles diminuíram bastante. Por isso, sua estratégia atual é viajar pelo país buscando votos de eleitores não conservadores. Inclusive, o senhor conquistou um número expressivo desse público desde que assumiu o relacionamento com Elisa e afirmou ter uma filha com ela.
Aquilo me agradou mais do que eu esperava. Aquela ideia começou a se formar, clara e precisa.
— Perfeito — declarei. — Então prepare tudo para minha saída do partido conservador. Vou seguir com a campanha sozinho. Dinheiro não é problema, apoio também não. Acredito que, inclusive, vou ganhar ainda mais apoio ao sair do partido.
Pablo arregalou os olhos, surpreso.
Às dezessete horas, Pablo entrou com um tablet nas mãos.
— Senhor, a nota sobre sua saída do partido está em todas as manchetes. As redes sociais estão em polvorosa.
Peguei o tablet e analisei as notícias. Um sorriso satisfeito surgiu em meus lábios.
— Estão atribuindo os ataques à senhorita Elisa aos conservadores — informou Pablo. — Exatamente como o senhor queria.
— Perfeito. E como está minha popularidade?
— Excelente. Sua aprovação subiu. Muitos internautas estão demonstrando apoio. Estão lhe chamando de perseguido, de vítima. O senhor ganhou a simpatia do público.
— Ótimo — murmurei. — Tudo está saindo como planejado. Agora precisamos organizar o lançamento oficial da minha campanha solo. Sem partido, sem bandeira. Vou ser o candidato que agrada a todos. Nunca me encaixei em partido algum mesmo. Agora posso ser quem realmente sou.
Levantei-me, sentindo uma energia renovada.
— Victor Baltimor voltou.
Eu já estava cansado de seguir regras impostas por outros. Eu faço minhas próprias regras. Não sou homem de cabresto.
Um problema estava resolvido. Agora restava lidar com Thomas.
E esse, eu sabia, seria bem mais difícil.

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