ELISA RIVER.
Eu olhava para minha amiga sem acreditar no que estava ouvindo. Não era possível que Cecília estivesse falando sério.
— Cecília, envolver sua avó nessa loucura está fora de cogitação. Ela nunca faria uma coisa dessas. Você realmente acha que dona Abigail ficaria contra o próprio filho?
— Eli, minha avó me ama mais do que ama os filhos — respondeu com convicção. — E faria qualquer coisa por mim. Confia em mim, ela vai ajudar.
E, antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, começou a digitar no celular.
— O que você está fazendo? — perguntei, alarmada.
— Mandando mensagem para a minha avó.
Meu coração quase saiu pela boca.
— Você enlouqueceu? Está falando de sequestro por mensagem?
— Claro que não, Eli — disse, revirando os olhos. — Eu não sou burra. Se acalma, por favor. Assim você vai acabar passando mal.
Soltei o ar que nem percebi estar prendendo.
— E o que você está dizendo para ela?
— Só pedi para ela vir me ver, disse que cheguei à casa do meu tio. Fica tranquila, eu sei exatamente como conversar com a minha avó — afirmou, piscando para mim.
Esses Baltimor ainda vão me matar do coração. Todos são completamente insanos. E eu achando que Cecília era a normal da família. Doce ilusão.
Eu ainda tentava encontrar palavras para fazê-la desistir daquela sandice quando Kelly apareceu à porta do anexo.
— Elisa, a Mel acordou e está chorando. Você está bem? O que aconteceu? Você estava chorando? — perguntou, preocupada.
Em pouco tempo, eu e as enfermeiras da Melissa criamos uma amizade. Suspirei, porque minha aparência devia estar péssima. Eu ainda pensava em uma explicação plausível quando Cecília foi mais rápida.
— A Eli está naqueles dias — disse com o maior descaramento do mundo. — Está com cólica. Ela fica muito mal, chora, sente muita dor, e os remédios não fazem efeito. Aí acaba chorando para tentar aliviar.
Fiquei boquiaberta com a facilidade com que ela mentia.
— Elisa, por que não disse que estava com dor? — perguntou Kelly, solidária. — Poderíamos providenciar uma medicação melhor. Conheço pacientes que sofrem muito nesse período, algumas até precisam ser hospitalizadas.
Acenei com a cabeça, agradecida pelo carinho, e, ao mesmo tempo, me odiando por não desmentir tudo. Eu estava me tornando uma grande mentirosa graças a essa família de loucos. Olhei para Cecília, que piscou e sorriu com a maior inocência. Peste.
— Eu vou ficar bem, sempre fico — murmurei. — Agora vamos ver a Mel. Venha, Ceci, conhecer sua prima.
— Estou ansiosa para ver essa bonequinha — disse toda animada.
Ela veio atrás de mim e de Kelly, enquanto seguíamos em direção ao quarto de onde vinha um choro impaciente.
— Oi, eu sou Cecília, sobrinha do Victor — apresentou-se animada.
— Sou Kelly, uma das enfermeiras da Melissa — respondeu Kelly.
Entrei no quarto, deixando as duas conversando atrás de mim. Aproximei-me do berço e peguei Mel no colo.
— Estou aqui, pequena.
A abracei e dei um beijo em sua testa. Ela parou de chorar assim que ouviu minha voz. Cecília se aproximou e arregalou os olhos.
— Mas que bebê mais lindo! Ela é perfeita! — deu um gritinho que me assustou e fez Mel ameaçar chorar de novo.
— Cecília, você ficou louca? Assustou a Mel! — reclamei.
— Desculpa, não consegui me conter. Ela é fofa demais.
— Calma, Mel. Sua prima é perturbada.
— Não sou! — protestou.
Mel olhou para Cecília com uma expressão emburrada que me lembrou imediatamente Victor.

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