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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 50

ELISA RIVER.

Pode ser que eu estivesse tomando a pior decisão da minha vida. Mas que se dane. Eu ia livrar minha pequena desses loucos.

Eu estava revoltada, irritada, chateada e profundamente decepcionada com a senhora Eleonor. Achei, de verdade, que ela se importava comigo. Que estivesse ao meu lado. Mas, no fim, ela só pensava na própria família. E, sendo justa, talvez eu não pudesse condená-la por isso. Provavelmente eu faria o mesmo.

Eu sabia que não tinha o direito de decidir o destino de Melissa. Sabia. Mas, em tão pouco tempo, me apeguei àquela criança como se fosse minha. E toda aquela mentira de ser a mãe dela só intensificou esse sentimento. A parte tentadora da ideia de um casamento com Victor era justamente essa: eu seria a mãe adotiva de Mel. E isso… isso me aquecia o coração.

Será que era loucura amar tanto uma criança que nem nasceu de mim?

Sempre quis ser mãe, amo cuidar de crianças. Talvez por isso havia escolhido ser professora da educação infantil. Amo a inocência, a espontaneidade, a simplicidade de uma criança. Elas são puras. Verdadeiras. Diferentes dos adultos e de seus jogos de poder.

Mesmo irritada, tentei não ser grosseira com a mãe de Cecília.

— Agradeço por a senhora estar pensando no meu bem — falei, controlando o tom. — Mas não estou interessada no seu cunhado. E não vou me casar com ele.

— Elisa, pense bem — insistiu. — Vai me dizer que não sente nada por Victor? A noite que passaram juntos na casa de campo não foi boa?

Sério que ela ia apelar para isso agora? Para sexo?

Eu não podia negar. Gostei. E muito. Transar com Victor foi intenso, arrebatador, físico de um jeito que ainda ecoava no meu corpo. Mas isso não sustentava um casamento. Eu queria mais. Muito mais. Queria alguém que me amasse, que me colocasse acima da própria carreira. E Victor não era capaz disso. Ele era casado com a política. Nem a própria filha vinha antes dela. Victor amava o poder, e ninguém mudaria isso.

— Senhora Eleonor — respondi, firme —, não vou negar que foi ótimo transar com Victor. Ele sabe satisfazer uma mulher. Mas isso não é suficiente para manter um casamento. E, para o seu cunhado, eu não passei de uma garota de programa que ele pagou para ter na cama.

Ela arregalou os olhos, visivelmente chocada. Por um instante, não entendi o que exatamente a havia abalado tanto.

— Elisa, querida… eu te magoei? — perguntou, tensa.

— Por que a senhora pergunta isso?

— Desde que nos conhecemos, você sempre me chamou de tia. Agora me chama de senhora Eleonor. Eu te magoei? — insistiu, visivelmente agitada.

Aquilo só podia ser piada. Agora ela se importava com o que eu sentia.

— Que isso, tia Eleonor… eu nem percebi — respondi, fingindo naturalidade. Por dentro, fiz uma anotação mental: eu precisava ficar mais esperta com essa família.

— Que alívio — suspirou. — Você é muito importante para nós. Prometemos aos seus pais que cuidaríamos de você. Não quero que se afaste. Somos, família.

Eu apenas sorri.

Nunca entendi essa história de promessa. Meus pais só conheceram essa família quando eu e Cecília conhecemos no colegial. Nunca compreendi por que eles teriam confiado a minha vida a eles.

Meus pais não tinham ninguém. Eram órfãos. Cresceram juntos em um orfanato, e o amor deles nasceu ali. Eu não tenho família.

— Eu sei, tia.

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