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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 51

ELISA RIVER.

Consegui respirar e falei, com a voz mais firme do que eu realmente me sentia:

— O que a senhora acha dessa ideia?

Questionei, observando atentamente a senhora Abigail. Ela me analisou em silêncio, como se pesasse cada detalhe de mim.

— Me diga você — respondeu com outra pergunta. — Você concorda com o plano de Cecília?

Aquilo me deixou apreensiva. Eu não tinha como saber se ela condenava ou apoiava aquela loucura. Não havia pistas no seu olhar experiente. Mesmo assim, decidi arriscar.

— Concordo, sim, com esse plano absurdo e criminoso da sua neta.

— Por quê? — perguntou, firme.

— Cecília deve ter contado tudo o que está acontecendo. E sei que a senhora já sabia de tudo, porque nada acontece nesta casa sem que a senhora saiba. — Mantive o olhar fixo no dela, que sorriu de lado, confirmando. — Quero me livrar da chantagem do seu filho Thomas, ficar longe do mundo do seu filho Victor e, acima de tudo, manter Melissa longe de tudo isso. Amo sua neta e quero o melhor para ela. Acredito que o melhor seja longe dessa exposição toda.

Finalize firme, encarando seus olhos sem desviar. Abigail me observou por longos segundos, como se estivesse me medindo por dentro.

— Entendo. — Então, para minha total surpresa, continuou: — Concordo com o plano absurdo da Cecília. E vou ajudar vocês. Porque, sem mim, nenhuma das três sai nem do quintal desta casa sem que Victor saiba.

Meu queixo literalmente caiu. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

— Eu falei que a vovó iria nos ajudar! — Cecília comemorou, vitoriosa.

E eu, que achava a senhora Abigail a única normal daquela família, retirei mentalmente essa opinião. Definitivamente.

— Então vamos ao plano — disse com naturalidade. — Pensei nele e fiz algumas melhorias.

— Espere um pouco — interrompi, ainda atônita. — Primeiro: vocês conversaram há o que… alguns minutos e a senhora já elaborou um plano? Segundo: por que vai nos ajudar? O que a senhora ganha com isso?

A avó de Cecília sorriu com carinho, mas havia algo afiado no seu olhar.

— Elisa, eu lido com crises no meio financeiros, que exigem soluções rápidas há décadas. Tenho prática. Resolver obstáculos em minutos faz parte da minha rotina. — Fez uma breve pausa. — E o que eu ganho? Quero o melhor para Melissa. E sei que o melhor para ela é ao seu lado. Amo meus filhos, mas nem sempre concordo com as atitudes impensáveis deles.

— Me desculpe, senhora Abigail, mas isso ainda não explica por que quer ajudar a sequestrar a própria neta.

— Quero ensinar uma lição a Victor. — Ela foi direta. — Vou ser sincera: acredito que você será uma ótima mãe para Melissa e uma excelente esposa para meu filho. Fui eu quem sugeriu que ele dissesse que vocês eram namorados. Achei que, com a convivência, vocês poderiam se apaixonar.

Fiquei em choque. Não conseguia acreditar naquela revelação.

— Então foi a senhora que arquitetou esse circo todo?

— Sim. E funcionou bem. — Disse sem o menor pudor. — Instruí meu filho em tudo o que ele deveria falar para ser convincente.

Tudo fez sentido. A atuação, as palavras ensaiadas, o discurso perfeito. Só podia haver uma mente brilhante por trás.

— Eli, deixa isso para depois. Vamos focar na nossa fuga — disse Cecília, me trazendo de volta à realidade.

— Cecília está certa — concordou senhora Abigail. — Vamos focar no plano.

— Tudo bem — respondi, ainda digerindo tudo. — Mas esse assunto não acabou.

— Eu sei. Agora, o plano será o seguinte: eu providencio o local e o transporte. Esqueçam essa ideia de falsificar documentos. Eu faço vocês desaparecerem facilmente. Victor não vai encontrá-las.

Um arrepio percorreu minha espinha.

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