VICTOR BALTIMOR.
O clima ficou estranho, tenso. Elisa fez uma expressão que eu nunca havia visto antes. Não era para ela ter escutado aquilo. Quis ir até ela e me explicar, mas não fiz. Em vez disso, vesti minha armadura da indiferença e a ignorei totalmente. Ainda assim, sua expressão me incomodou profundamente. Meu irmão e minha sobrinha também estavam tensos.
— Cecilia, quando chegou? — perguntei, quebrando aquele clima pesado, como se nada tivesse acontecido.
Aproximei-me da minha sobrinha, abraçando-a com carinho. Olhei para Elisa, que desviou o olhar.
— Tio Victor… eu cheguei na parte da manhã — comentou, sem jeito.
— Por que não avisou que viria? Eu teria mandado alguém te buscar e preparado algo especial para você.
— Eu resolvi vir em cima da hora. Quando meus pais disseram estarem vindo, aproveitei para ver minha amiga e te visitar também.
Era claro que ela veio por Elisa, e não por mim. Olhei para Elisa, ainda parada na porta, e dei as costas, levando Cecilia para se sentar.
— Deseja alguma coisa, senhorita River? — perguntei, quando me sentei.
— Quero conversar com o senhor — disse friamente.
Aquilo me incomodou, pois ela sempre tinha um tom caloroso, mesmo quando estava irritada. Elisa não estava normal. Quis perguntar se estava bem, mas não fiz.
— Volte depois. Agora estou ocupado.
Ela não respondeu. Apenas se virou e foi embora. Não gostei, pois esperava que dissesse algum desaforo ou retrucasse. Mas Elisa simplesmente foi. Por que a indiferença dela me incomodava tanto? Olhei para Thomas, que balançava a cabeça negativamente, desaprovando meu comportamento.
— Então, minha sobrinha, conheceu sua priminha?
— Sim, ela é tão fofa e linda, titio. E é uma cópia perfeita do senhor — comentou empolgada.
Eu sorri, pois Melissa era tudo isso.
— Ela é muito parecida comigo.
— E mal-humorada também. Ela fez cara feia para mim — disse, ofendida.
— O que você fez para ela te tratar assim? — perguntou meu irmão.
— Nada, papai. Eu só dei meio que um grito quando a vi pela primeira vez e fiquei encantada com a fofura dela. Ela não gostou — disse, encolhendo-se.
— Está explicado. Melissa está se recuperando e não gosta de muito barulho. Você a assustou — comentei, achando engraçada a expressão que Cecilia fez.
Nossa conversa continuou até a hora do jantar, quando fomos interrompidos por minha mãe e Eleonor, que vieram nos chamar.
Foi um bom jantar em família. Havia tempos que eu não relaxava nem me sentia animado e tranquilo. Esqueci todos os problemas que me rodeavam. Eu valorizava aqueles momentos com a minha família.
Depois do jantar, ficamos na sala de estar conversando. O tempo passou e, um a um, foram se recolhendo para seus quartos, sobrando apenas eu e meu irmão. Quando ele se levantou para ir embora, parou e me olhou sério.
— Você deveria procurar Elisa hoje e conversar sobre o contrato pré-nupcial. E falar sobre o que ela ouviu no escritório.
Suspirei, levantando-me.
— Eu vou falar com ela.
— Mas vá com calma. Você a quer como aliada, não como inimiga. Não a trate como tratou no escritório — alertou, antes de se retirar.
Fiquei ali parado, pensativo, depois fui em direção à escada e subi. Ao chegar ao primeiro andar, resolvi continuar até meu quarto, no terceiro andar. Vou tomar um banho e depois falo com Elisa. Quero também ver minha filha, mas preciso estar limpo.
Meia hora, depois, parei na porta do quarto hospitalar, respirei profundamente e abri a porta devagar, entrando. As enfermeiras estavam sentadas, conversando baixo, e Elisa embalava Melissa.
— Boa noite!
— E então, o que deseja conversar comigo? — questionou friamente e, enfim, me olhou.
Senti-me estremecer com aquele olhar indiferente.
— Eu quero conversar sobre a chantagem do meu irmão e dizer que encontrei uma solução. E quero sua ajuda para dar certo.
— Eu também cheguei a uma solução. Mas diga qual é a sua.
Fiquei surpreso e curioso com a solução dela.
— Você e eu precisamos assinar um contrato pré-nupcial. Assim, garantimos ao meu irmão que vamos nos casar e ganhamos tempo para nos livrar desse problema. O contrato será uma garantia e poderemos desfazê-lo a qualquer momento. Também pensei em fazer um noivado, para ser convincente — revelei.
Elisa me olhou sem esboçar nenhuma reação, o que me deixou tenso. Eu esperava alguma ironia.
— Essa solução ajuda o senhor, mas não a mim. Eu já tenho a solução para me livrar dessa chantagem — comentou, com firmeza.
— Me diga o que tem em mente para tirar meu irmão de cima de nós. Sou todo ouvidos.
— Eu vou me demitir e me livrar do seu irmão e do senhor. Assim que Mel estiver bem, eu vou me demitir. Então o senhor precisa começar a procurar alguém para me substituir — revelou.
Arregalei os olhos. Ela quer ir embora?
— Eu não aceito sua demissão. Você não vai embora. Não vai nos abandonar — falei, irritado.
— Como é? O senhor não aceita? É direito meu pedir demissão. O senhor não pode negar. Eu não sou sua prisioneira.
Aproximei-me rápido dela, prensando-a contra o berço. Meu corpo colou no dela, e meu pau já latejou. Aspirei seu cheiro e segurei seu queixo, obrigando-a a me olhar.
— Você é minha, Elisa, e não vai se livrar de mim. Nunca — falei, possessivo, antes de tomar seus lábios com fome.

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