ELISA RIVER.
A frase entrou pelo meu ouvido e explodiu em meu cérebro, como se tivesse causado um curto-circuito. Fiquei aérea, sem reação. Ouvia o médico e Abigail falarem, mas era incapaz de responder, como uma telespectadora da própria vida.
Eu estava grávida? Não podia ser. Não posso estar. E o pai? A pergunta ecoou, trazendo o pânico junto. É o Victor. Fiquei dois anos sem trepar e, quando tiro as teias de aranha, engravido. Merda. E logo do Victor. Ou sou sortuda, ou muito azarada.
— Minha nora está grávida? — perguntou Abigail, surpresa.
— Sim. Está de poucas semanas — respondeu o médico.
— Isso é maravilhoso — comentou minha sogra, animada. Pois é, eu a chamava de sogra e a tinha como uma. Abigail era ótima comigo.
— Sim, mas, como está no começo, Elisa precisa ter cuidado e evitar estresse e muito esforço físico, para não provocar um aborto — alertou, chamando minha atenção. Olhei na direção dele. Eu não queria perder meu bebê.
— Não se preocupe, doutor. Eu vou cuidar dela para que isso não aconteça. Mas Elisa e o bebê estão bem? — perguntou Abigail, apreensiva.
— Sim. Elisa só está sofrendo com os sinais da gravidez. Nada de mais. Vou receitar um remédio para o enjoo e passar algumas recomendações. Mas é essencial fazer um acompanhamento de pré-natal — declarou, firme.
— Que bom que ela está bem. Eu vou providenciar um bom obstetra para minha nora. E quando ela terá alta?
— Assim que o soro acabar, eu volto para lhe dar alta. Agora preciso ir ver outros pacientes — disse, olhando para mim. — Aproveite para descansar um pouco e, qualquer coisa, chame as enfermeiras, que elas me avisarão.
Ele tocou em meu braço e saiu do quarto. Eu não conseguia dizer nada. Ainda estava em choque. Eu, grávida do Victor. Ouvi ser chamada por Abigail, e quando senti uma mão em meu rosto, fui puxada de volta à realidade.
— Elisa, querida, você está bem? — perguntou Abigail, preocupada.
— Estou bem… quer dizer, digerindo essa notícia.
— Entendo. Elisa, essa criança é do meu filho, certo?
— Não. Ela é minha. Não quero que Victor saiba que estou grávida — falei, nervosa.
Senti um aperto no peito ao imaginar a expressão de raiva dele. Lembrei-me de quando me contou querer que a mãe da Melissa tivesse feito um aborto. Eu não vou tirar meu filho.
— Pela sua reação, a resposta é sim. Essa criança é meu neto. — Disse com animação.
— Sim, é. Fiquei dois anos sem transar e só transei com seu filho nesse período de trinta dias. E, justo na primeira vez que transamos, eu engravido dele — declarei, irritada.
— Já que o filho é do Victor, ele tem o direito de saber.
— Não. Eu não quero que ele exija que eu tire essa criança. Ele queria que a mãe da Mel fizesse isso — respondi, nervosa.
— Ele te contou isso? — perguntou, espantada.
— Sim.
— Ele mudou, Elisa. Tornou-se um pai, preocupa-se com a Melissa. Não vai lhe pedir esse absurdo, e eu nunca deixaria que ele fizesse isso. Naquela ocasião, ele falou sem pensar, mas depois se arrependeu — declarou, segurando minha mão.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.