VICTOR BALTIMOR.
Nas últimas semanas, minha vida tem sido uma loucura. Nunca pensei que deixar um partido e começar uma carreira solo fosse me dar tanto trabalho e tantas dores de cabeça. Nessas semanas, eu não durmo nem me alimento direito. É uma correria constante.
Mal estou conseguindo ver minha filha e Elisa. Chego em casa e as duas já estão dormindo. Ainda assim, Átila me conta tudo sobre o dia delas. Sempre tento ligar para ter notícias; quando não dá, ele me envia mensagem contando.
Consegui manter Elisa aqui, ao meu lado. Mas agora não tenho mais tempo para aproveitar. Resta-me apenas lamentar. Como eu queria poder chegar em casa e ter o aconchego do seu corpo para me acalmar.
Suspirei. Mas acho que fiz alto demais.
— Tudo bem, senhor? — Perguntou Pablo, preocupado.
— Sim, só estou um pouco cansado. Preciso dormir.
— Posso reagendar alguns compromissos, se preferir.
— Não, vamos continuar, resolverei tudo essa semana, para que na próxima semana, fique livre para passar com minha filha e Elisa.
Comentei e voltamos ao trabalho. Eu queria passar a semana antes da viagem em casa relaxando com a minhas meninas.
Eu estava no meio de uma reunião com Pablo quando Átila ligou. Pedi que Pablo aguardasse um minuto e atendi. Átila não me ligaria naquele horário se não fosse importante.
— Átila, aconteceu alguma coisa?
— Senhor, desculpe ligar, mas achei importante avisar. A senhorita Elisa passou mal e foi levada inconsciente para o hospital — informou.
Levantei-me rápido, meu coração acelerando.
— O que houve? Em que hospital ela está?
— A senhorita Elisa simplesmente desmaiou, enquanto conversava com a senhora Abigail. Não sei lhe informar para qual hospital elas foram, senhor. Sua mãe e Melissa foram com ela, mas ainda não ligaram dando notícias.
Suspirei, impaciente. Elisa doente, minha mãe e minha filha com ela, e eu sem saber onde estavam.
— Vou ligar para minha mãe. Obrigado por avisar — agradeci, antes de desligar. Soquei a mesa, sentindo-me impotente, nada pode acontecer com Elisa, não agora.
— Está tudo bem, senhor? — perguntou Pablo, apreensivo.
Olhei para ele.
— Elisa passou mal e foi levada para o hospital. Minha mãe e Melissa foram com ela. Átila não tem notícias.
— Não há de ser nada grave, senhor.
— Assim espero — respondi, enquanto discava o número da minha mãe.

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