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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 59

VICTOR BALTIMOR.

Eu reli aquela linha mais de uma vez, como se meus olhos estivessem mentindo para mim. Positivo para gravidez.

O ar faltou nos meus pulmões. Senti o sangue bater forte nas têmporas, o coração disparar como se eu tivesse acabado de correr quilômetros. Fechei a pasta com força e a joguei sobre a mesa. Caminhei pelo escritório, passando a mão pelos cabelos, tentando organizar um pensamento sequer.

Elisa… grávida. Grávida de mim. Gravida.

A palavra martelava na minha cabeça, mas, logo em seguida, outra, veio junto, cortante como uma lâmina.

— Mas… esse filho é meu?

Sentei-me lentamente na cadeira, sentindo o peso daquela pergunta se espalhar pelo meu corpo. Eu só tinha transado com Elisa duas vezes. Duas maravilhosas vezes. Não era possível simplesmente ignorar esse detalhe.

Duas vezes não significavam certeza. Não é mesmo?

Fechei os olhos por um instante e passei a mão pelo rosto, tentando conter a irritação que crescia dentro de mim como um incêndio mal controlado. Eu não sabia nada sobre a vida sexual dela antes de mim. Nada. Elisa sempre foi um enigma. Insolente, desafiadora, intensa. E, na cama… ela não parecia inexperiente. Muito pelo contrário. O relatório que pedi sobre sua vida, não mencionava parceiros, namorados, ou ficantes. Entendi que era por ela ser recatada. Mas agora, não tenho tanta certeza.

A maneira como ela se entregou, como reagiu ao meu toque, como o corpo dela respondeu sem hesitação alguma… tudo isso agora voltava à minha mente com um gosto amargo. Aquilo não era o comportamento de uma mulher reprimida ou inexperiente. Elisa parecia saber exatamente o que fazia. Ela me provocou naquela pista como uma mulher acostumada a seduzir. Eu a confundi com uma prostituta, porque ela se comportava como uma. Pensar nisso me irritava.

— Merda… — rosnei, apertando os punhos.

A ideia de que aquele filho pudesse ser de outro homem me causou algo que eu não gostei de sentir. Não era apenas ciúme. Era raiva. Um tipo de raiva primitiva, possessiva, que queimava no peito e fazia meu maxilar travar.

Ela tinha outros homens? Antes de mim? Durante aquele período, que tivemos juntos?

Meu estômago se revirou. O pensamento de Elisa grávida de outro, morando na minha casa, transando comigo, sendo tocada por mim… aquilo era insuportável. Meu orgulho gritava. Meu controle escorria pelos dedos.

— Eu preciso da verdade.

Levantei-me abruptamente, empurrando a cadeira para trás. Não havia mais concentração possível, não havia reunião, trabalho ou país que me segurasse ali.

— Merda… — murmurei sozinho. A porta do escritório se abriu. Pablo entrou, cauteloso.

— Senhor? Aconteceu alguma coisa?

Levantei o olhar devagar. Vi Pablo ficar tenso com meu olhar.

— Ela está grávida — falei, sem rodeios.

Pablo arregalou levemente os olhos, mas manteve a postura profissional.

— Do senhor?

— Não sei. — Passei a mão pelo rosto.

— O que pretende fazer?

— Vou tirar essa história a limpo. Pois se esse filho for meu, Elisa, nunca mais sai do meu lado.

— E se for de outro? — Perguntou apreensivo.

— Eu nem sei o que eu faço. — Respondi, eu realmente não sabia o que faria.

— Acho que precisam conversar, primeiro, antes de qualquer decisão. — Comentou.

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