ELISA RIVER.
Olhei assustada enquanto a senhora Abigail falava ao celular com Victor. Meu coração parecia prestes a sair pela boca. Ela iria me entregar para o filho. Mas, para minha surpresa e alívio, ela não contou que eu estava grávida.
Abigail conversou com Victor por poucos minutos e explicou meu estado e em que hospital estávamos. Finalizou a ligação e me olhou fixamente.
— Eu não contei sobre a gravidez porque quem tem que contar é você.
— Obrigada — agradeci, com a voz fraca, tentando controlar o coração acelerado.
— Não me agradeça ainda. Se você não contar logo, eu conto. Sugiro que faça isso antes que Victor descubra por conta própria.
Fiquei apreensiva com o que ela disse.
— Por que está falando isso?
— Conheço meu filho muito bem, e ele ficou desconfiado. Senti na voz dele. Victor vai te interrogar assim que chegar em casa. Então sugiro que aproveite a oportunidade e conte tudo de uma vez.
— Eu ainda não estou preparada para contar. Tenho receio da reação dele.
— Eu sei, mas será pior se ele descobrir depois. Ele ficará furioso por ser enganado. Vai por mim. Victor odeia mentira.
Quase ri daquela hipocrisia toda. Um homem que mente para encobrir seus segredos não gosta que mintam para ele.
— Vou contar, mas no meu tempo.
— Está bem. Não vou abrir a boca. Eu prometo. Agora precisamos trocar a fralda da lindinha da vovó — disse, pegando a bolsa com as coisas da Mel.
Olhei para minha filha, que estava deitada quieta, chupando o dedinho enquanto me observava. Agora eu a chamava de filha, e ela parecia gostar, porque sorria para mim sempre que a chamava assim. Troquei a fralda da Mel, dei-lhe uma mamadeira e a embalei até dormir. Depois, deitei-a novamente ao meu lado.
A senhora Abigail saiu para fazer algumas ligações e cancelar nosso plano. Suspirei, sentindo-me perdida. Eu não esperava ficar grávida de Victor, mas fui muito imprudente ao transar sem camisinha.
Como será minha vida agora que estou grávida?
Uma parte de mim estava radiante. Sempre quis ter filhos. Meu lado sonhador. Já a outra parte estava assustada, com medo. O lado que não queria se prender a um homem como Victor Baltimor. Meu lado racional gritava que não daria certo.
O soro acabou e fui liberada. O médico fez uma série de recomendações, e Abigail garantiu que eu as seguiria. Apenas concordei com a cabeça. Não iria discutir com nenhum dos dois.
O automóvel nos esperava na saída do hospital. Não demoramos muito para chegar em casa.
Átila estava à nossa espera e parecia preocupado, perguntou como eu estava e eu disse está melhor. Ele pareceu aliviado, e me ajudou a ir até o quarto, enquanto Abigail carregava Melissa. Eu poderia ter carregado minha filha, mas ela achou melhor não. Disse que eu não poderia carregar peso nem esforçar. Revirei os olhos e, para não me estressar, resolvi não dizer nada.
Parece que agora minha vida será vigiada e controlada. Mas, se estão pensando que vão comandar minha vida, estão muito enganados.
Sentei-me na cama e a senhora Abigail colocou Mel, deitada ao meu lado. O senhor Átila saiu para providenciar comida para mim. Afinal, não havíamos almoçado. Senhora Abigail, quebrou o silêncio:
— Elisa, sei que está chateada por eu cancelar o plano de fuga. Espero que entenda meu lado. Não posso permitir que meu neto corra risco.
— Eu entendo seu lado, senhora Abigail. Refleti enquanto estava no hospital e a senhora está certa. Fugir neste estado não é uma boa ideia. E também tenho que pensar em Melissa, que agora é minha filha.
— Fico feliz que pense assim. Você não sabe o alívio que sinto por saber que mudou de ideia. Tive receio de que tentasse fugir por conta própria — comentou, olhando-me fixamente.

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