VICTOR BALTIMOR.
Eu sabia que aquela conversa não ia terminar bem. Desde o momento em que entrei no quarto e vi o silêncio dela, o jeito como evitava meu olhar, eu senti. Elisa sempre foi transparente demais. E aquilo me irritava, porque eu nunca soube lidar com sentimentos que não posso controlar.
Grávida. A palavra martelava na minha cabeça como um aviso constante. Eu a repetia mentalmente, tentando entender como aquilo havia acontecido. Eu sempre fui cuidadoso. Sempre. Então, como?
Suspirei internamente. Com Elisa, eu não havia sido cuidadoso. Eu não usei camisinha em nenhuma das vezes que transamos. Mas a pergunta que eu mais odiava era justamente a que não queria admitir nem para mim mesmo: e se não for meu?
O pensamento me corroía por dentro. Não apenas por orgulho ferido, mas porque a simples ideia de outro homem… outro tocando Elisa, marcando presença nela, me deixava irracionalmente furioso. Eu não tinha esse direito. Eu sabia. Mas o sentimento estava lá, cru, feio e intenso.
Ela sempre me desafiou. Sempre me enfrentou de igual para igual. E talvez tenha sido isso que me fez desejar Elisa desde o início. Mas, naquele momento, tudo o que eu conseguia ver era uma mulher me escondendo algo que poderia mudar minha vida.
Eu me ouvi falando coisas duras. Coisas que, no fundo, eu sabia que a machucavam. Mas a raiva falava mais alto. A necessidade de ter controle, de não parecer fraco, de não admitir que eu estava com medo de ser enganado, de perder. Medo de querer algo que eu não saberia proteger.
Quando questionei a vida sexual dela, vi o olhar de Elisa mudar. Foi ali que percebi haver cruzado uma linha. Mas não consegui parar. Eu precisava ouvir da boca dela. Precisava ter certeza. Precisava saber se aquele filho era meu antes que a dúvida me consumisse por completo.
E, no fundo, havia outra verdade que eu não queria encarar: se aquele filho fosse meu, tudo mudaria. Nada mais seria simples entre nós.
Eu ainda estava tentando me convencer de que estava certo… quando tudo saiu do controle. E então o vaso voou.
Arregalei os olhos no exato segundo em que o vaso veio na minha direção. Meu corpo reagiu antes do pensamento. Dei um passo rápido para o lado, sentindo o vento cortante passar pelo rosto. O objeto se espatifou na parede atrás de mim, explodindo em estilhaços. O som seco ecoou pelo quarto. Meu coração batia descompassado.
Por um instante, fiquei apenas olhando para ela, tentando entender se aquilo tinha mesmo acabado de acontecer. Elisa estava de pé, ofegante, as mãos tremendo, mas vi uma pontinha de arrependimento em seu olhar. E eu… eu estava chocado com sua ousadia e coragem em tentar me machucar.
— Você enlouqueceu? — gritei, a voz saindo mais alta do que eu pretendia e a assustando. — Você tentou me acertar com um vaso!
Ela não respondeu de imediato. Apenas me encarava, como se eu fosse o inimigo mais perigoso do mundo.
— Sai daqui, Victor — disse, com a voz dura. — Sai agora.
— Sério, Elisa? Você tenta me matar e simplesmente acha que vou sair como se nada tivesse acontecido?
— Não exagera. Eu não tentei te matar. Eu só estava extravasando minha raiva, e você ficou no caminho — declarou descaradamente, mas eu podia ver seu nervosismo.
— Como é? Vai negar que tentou me atingir?
— Vou. Eu não queria te atingir de verdade e sabia que você desviaria — respondeu, apreensiva.
— Eu não sabia que você era louca e sonsa.
— Victor, quer que eu peça desculpa? Muito bem, me desculpe por jogar o vaso, sem querer, em você. Agora saia, que eu preciso descansar.
— Não antes de terminarmos essa conversa. Não pense que essa tentativa de agressão não terá consequências — rebati, sentindo a irritação misturar-se a algo pior, algo que eu não queria nomear.
— O que pretende fazer? — perguntou, tensa.
— Pensarei em um castigo. Mas agora temos um assunto mais importante para resolver.
— Temos mesmo. Eu preciso descansar. Então saia, agora — respondeu, tentando me colocar para fora.
— Não vai se livrar de mim facilmente. Você está grávida, Elisa. Isso não é pouca coisa.
— Verdade. Mas meu estado não te diz respeito. Como eu disse, essa criança é só minha. Então não precisa se preocupar. Não vai mudar nada para você. Siga sua vida e me esqueça.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE.