VICTOR BALTIMOR.
— Elisa!
Meu corpo se moveu antes da razão. Em dois passos eu estava ao lado dela, ajoelhado no chão, o coração batendo tão forte que parecia querer sair pela garganta. O mundo inteiro encolheu naquele instante. Não havia mais nada, só ela, caída, pálida e inerte.
— Elisa — chamei, a voz rouca, descontrolada.
Toquei seu rosto. Gelado. Passei a mão pelo cabelo dela, afastando os fios da testa. O medo me atravessou como uma lâmina. Um medo primitivo, bruto, que eu nunca tinha sentido antes. Não daquele jeito. Eu não sabia o que fazer.
— Porra… — murmurei, sentindo o peito apertar.
Ela respirava. Fraco, mas respirava. Ainda assim, a imagem dela caída ali, depois de tudo o que foi dito, depois da violência das palavras, da tensão, da raiva… aquilo me atingiu, me fazendo sentir culpado.
Peguei-a com cuidado, passando um braço por trás das costas e outro por baixo das pernas. O corpo dela parecia mais leve do que deveria. Frágil demais, ela não era mais a mulher forte que me enfrentou minutos antes.
— Aguenta só mais um pouco — falei, sem saber se ela podia me ouvir. — Estou aqui.
Coloquei-a na cama com cuidado e me afastei, indo até a porta do quarto apressado, chamando por ajuda.
— Átila! — gritei no corredor. — Preciso de ajuda, agora!
Ele apareceu quase imediatamente, o semblante alarmado ao me ver naquele estado de desespero.
— O que aconteceu, Victor?
— Elisa desmaiou. Chame um médico. Agora! — ordenei, sem esconder o desespero e a aflição.
Minha mãe surgiu logo atrás, atraída pela confusão. Seus olhos se arregalaram ao ouvir o que eu disse.
— Meu Deus… Victor, o que você fez? — perguntou, tensa.
Não respondi, não tinha resposta. Ou talvez tivesse respostas demais, todas difíceis de engolir.
Voltei para o quarto rapidamente, com a minha mãe atrás de mim, enquanto Átila já falava ao telefone. Aproximei-me da cama e toquei no rosto de Elisa. Minha mãe se aproximou, segurou o braço dela e tocou o pulso, avaliando.
— Ela está muito pálida e o pulso fraco — disse, séria. — O que aconteceu?
— Nós discutimos e ela desmaiou.
— Meu Deus, Victor. O médico recomendou que Elisa não poderia se estressar nem esforçar, pois isso poderia resultar em um aborto — revelou, deixando-me surpreso e revoltado por não ser avisado.
— Vocês não pensaram que eu deveria ter sido avisado dessa informação a respeito do meu filho? Eu poderia ter evitado isso tudo se soubesse que Elisa não poderia se estressar, mãe — respondi, irritado.
— Você entrou aqui e não me deixou falar. Eu até tentei te avisar, mas você entrou como um rolo compressor. Então não me culpe. Você já sabia que ela estava grávida, então poderia ter evitado brigar com a mãe do seu filho.
Ela estava certa. Nessa história, eu estava errado.
— Eu perdi a cabeça. Elisa me jogou um vaso, eu quase fui atingido. E fiquei furioso.
Minha mãe me olhou e suspirou. Eu tentava focar em algo que não fosse meu desespero em ver Elisa desacordada e o médico que não chegava.
— Eu te conheço, Victor, e em pouco tempo aprendi a conhecer Elisa. Sei que ela não faria uma coisa dessas sem motivo. O que você falou para ela?
Não era fácil omitir nada da minha mãe.

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