VICTOR BALTIMOR.
A notícia caiu como um soco seco no peito. E as palavras ecoavam na minha cabeça, sangramento, hospital e ambulância. Eu ainda estava parado olhando para o médico. Então acordei e não esperei ouvir mais nada.
Meu corpo se moveu por puro instinto. Corri para o quarto. Elisa ainda estava inconsciente, pálida, vulnerável demais para suportar qualquer coisa além de silêncio e cuidado. E agradeci mentalmente por ela não ter acordado. Inclinei-me e a peguei no colo com todo o cuidado do mundo, como se qualquer movimento errado pudesse quebrá-la.
— Vai ficar tudo bem — murmurei no seu ouvido, mesmo sem ter certeza.
— Para onde vai levá-la? — perguntou minha mãe nervosa
— Para sala. — Comuniquei saindo do quarto
Levei-a até a sala de estar e a deitei no sofá com cuidado, apoiando sua cabeça. Meu coração batia descompassado, a mente em caos. Ficamos sentados aguardando e nada da maldita ambulância. O telefone de Walter, tocou e ele foi atender. Eu estava de pé, nem havia percebido que havia levantado. O médico voltou logo em seguida, o semblante sério.
— A ambulância está presa em um acidente. Vai demorar mais do que o esperado — informou.
Passei a andar de um lado para o outro, sentindo a impaciência crescer com o pânico. Parei de repente e encarei doutor Walter.
— Eu vou levá-la de automóvel. Ela corre algum risco se for transportada em um carro comum?
Ele me avaliou por um segundo que pareceu uma eternidade.
— Não. Desde que ela vá deitada no banco de trás e sem movimentos bruscos.
Assenti imediatamente. Voltei até o sofá, curvei-me e peguei Elisa novamente nos braços. Átila falou apressado.
— Vou chamar o motorista, senhor.
— Não — respondi sem hesitar. — Eu vou dirigir.
Minha mãe se aproximou, claramente preocupada.
— Mas, filho… você está em condições de dirigir?
Olhei para ela, firme, mesmo com tudo desmoronando por dentro.
— Sim, estou. Mamãe, fique com Melissa, por favor. E, doutor, me acompanhe no meu automóvel. Mandarei o motorista levar o seu depois.
Não esperei resposta. Saí com Elisa nos braços, sentindo o peso da responsabilidade esmagar meus ombros. Coloquei-a no banco de trás, deitada com cuidado, fechei a porta e entrei no veículo. Liguei o motor e arranquei, cantando pneu.
O trajeto até o hospital mais próximo pareceu interminável. Cada semáforo, cada segundo, era uma tortura. Quando chegamos, tudo já estava preparado, doutor Walter havia avisado da nossa chegada e da gravidade. Elisa foi atendida imediatamente, levada para a sala de emergência, com doutor Walter a acompanhando.
— Pode, sim. Ela está dormindo agora. Acordou durante o exame de ultrassonografia, ficou um pouco nervosa e chorou muito. Tive receio de que isso prejudicasse o estado dela, então administramos um medicamento que a fez adormecer. É melhor que Elisa permaneça nas próximas vinte e quatro horas dormindo e aqui no hospital. Ela ficará no soro, para se recuperar.
Soltei o ar lentamente, como se só então tivesse permissão para respirar.
— Obrigado por cuidar da minha noiva e mãe dos meus filhos — falei, sem pensar demais.
Doutor Walter me olhou surpreso. Ele conhecia minha família há anos. Nunca me viu falar em casamento, muito menos em construir uma família.
— Venha comigo — disse ele, sorrindo. — Vou levá-lo para ver sua noiva.
Segui atrás dele, com o coração pesado, me sentindo perdido, sem rumo.
Caminhei pelo corredor em silêncio, seguindo doutor Walter. O som dos meus passos ecoava alto demais para o estado em que eu estava. Cada porta fechada que passávamos aumentava o peso no peito. Eu nunca temi corredores de hospital. Nunca. Mas, naquele momento, eles pareciam um labirinto onde eu podia perder tudo.
O médico parou diante de uma porta de vidro.
— É aqui — disse baixo. — Seja breve. Ela precisa descansar.
Assenti e empurrei a porta devagar.

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