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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 64

VICTOR BALTIMOR.

Elisa estava ligada a alguns monitores e tinha dois soros, um em cada braço. O rosto pálido contrastava com os cabelos espalhados pelo travesseiro. Parecia menor, mais frágil. Tão distante da mulher que me enfrentara com fogo nos olhos.

Aproximei-me devagar, como se qualquer ruído pudesse fazê-la desaparecer. Meu filho estava ali. Dentro dela. Vivo. Eu estava tão aliviado ao saber disso.

A constatação me atingiu com força: serei pai de dois filhos. Era assustador, mas, ao mesmo tempo, sentia uma sensação boa ao pensar nisso. Eu havia descoberto que amava minha filha; agora vejo Melissa como uma luz na minha vida e pretendo ser um pai melhor para ela e para essa criança que vai nascer. Sei que comecei errado com Melissa. Mas não farei dessa vez.

Sentei-me na poltrona ao lado da cama e fiquei observando sua respiração tranquila, induzida pelo medicamento. Passei a mão pelo rosto, sentindo o cansaço me esmagar.

— Vou mudar por vocês três. Mas hoje estraguei tudo… — murmurei, mais para mim do que para ela.

As palavras que eu disse antes voltaram como facas. Cada acusação. Cada insinuação. Eu a feri no lugar mais sensível possível. E quase paguei o preço mais alto por isso. Eu não me perdoaria se Elisa perdesse nosso filho.

Olhei para a mão dela repousando sobre o lençol e, após hesitar por alguns segundos, toquei de leve seus dedos. Estavam mornos, o oposto do que senti mais cedo no quarto.

— Eu não sei amar, nunca amei de verdade. Minhas relações sempre foram passageiras e sob meu controle — confessei em voz baixa. — E isso me torna perigoso para quem quero proteger.

Engoli em seco.

Eu sempre venci na estratégia, na imposição, na força. Era assim na política, nos negócios, na vida. Mas com Elisa isso não funcionava. Nunca funcionou. E, ainda assim, eu insistia.

Levantei-me e caminhei até a janela do quarto, observando a cidade lá fora. Tudo continuava exatamente igual. Pessoas vivendo, veículos passando, decisões sendo tomadas. Enquanto o meu mundo havia parado ali.

Se algo tivesse acontecido com ela… com nosso filho… eu nunca me perdoaria. Voltei a olhar para Elisa e me aproximei da cama.

— Eu não vou te perder — declarei, firme, como uma promessa. — Nem você, nem esse bebê. Mesmo que você me odeie agora.

Passei a mão pelos cabelos dela com cuidado, quase reverente.

— Eu vou aprender. Mesmo que você não me queira e me jogue mil vasos, eu não vou desistir de você, Elisa River. Eu vou te conquistar, e o primeiro passo é torná-la minha esposa de verdade.

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