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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 65

ELISA RIVER.

A última coisa de que me lembro foi o nó no peito, a falta de ar, o coração disparado como se quisesse fugir de mim. Victor ainda estava ali, sua voz ecoando distante, pesada, atravessando minha cabeça como um ruído confuso. Dei um passo, depois outro… e tudo ficou escuro.

Quando voltei a sentir algo, era como se meu corpo estivesse longe demais de mim. Um peso estranho, um zumbido constante nos ouvidos. Tentei me mexer, mas não consegui de imediato. Abri os olhos devagar, a luz branca me cegando por alguns segundos.

Eu estava num hospital?

O cheiro característico, os sons dos aparelhos, vozes abafadas ao fundo. Meu coração disparou no mesmo instante. Olhei em volta e estava numa sala de exame, estavam fazendo um ultrassom em mim.

— Meu bebê… — murmurei, a voz falhando, o pânico me dominando.

— Elisa, calma — disse uma voz masculina, firme, mas gentil.

Virei o rosto com dificuldade e vi um senhor de jaleco branco, óculos apoiados no nariz, de olhar firme, mas sua expressão era tranquila.

— Quem… quem é o senhor? — perguntei, sentindo a garganta seca e me sentindo zonza.

— Sou o doutor Walter — respondeu. — Médico da família Baltimor. Fui chamado para te atender na residência do senhor Victor, mas precisamos te trazer para o hospital.

Meu coração afundou ao ouvir aquele sobrenome. A lembrança da discussão, do vaso, da raiva, voltou com tudo. Levei a mão ao ventre instintivamente, o medo me atravessando como um raio.

— O que aconteceu comigo? — perguntei, já com lágrimas nos olhos. — Meu bebê… perdi meu bebê? — Perguntei já desesperada.

Ele se aproximou um pouco mais, mantendo a voz calma, quase didática.

— Você passou mal, Elisa. Desmaiou após um pico de estresse e apresentou um pequeno sangramento — explicou. — Mas antes que você entre em pânico, preciso que me escute com atenção.

Prendi a respiração. Sangramento, e ele me pede calma?

Uma enfermeira se aproximou com uma seringa e aplicou no acesso que estava no meu braço. Um frio leve percorrendo meu braço. Pouco a pouco, a tensão começou a ceder. Minhas pálpebras ficaram pesadas, a minha cabeça ainda estava latejando, mas o meu corpo começou finalmente a relaxar.

— Descanse, Elisa — ouvi-o dizer, cada vez mais distante. — Você está em boas mãos.

Então deixei que a escuridão me levasse para o mundo do sono. Eu tive um sonho tão bom, nele eu, Victor, Mel e nosso filho, um menino, vivíamos felizes numa fazenda. Só podia ser sonho mesmo.

Quando acordei novamente, minha cabeça doía, como se tivesse passado horas chorando. Ou tivesse alguém martelando dentro dela. Pisquei algumas vezes, confusa, tentando me situar. O quarto estava mais silencioso, a luz mais baixa. Meus olhos queimavam, se incomodavam, mesmo com a luz baixa.

Virei o rosto devagar tentando me situar, não estava mais na sala de exame, mas em um quarto, grande e espaçoso. Não parecia ser a enfermaria, acho que estou num quarto particular. Quando olhei para o outro lado. E então o vi, Victor.

Ele estava ali, à minha frente, os olhos fixos em mim, o semblante preocupado, carregado de algo que eu não consegui decifrar de imediato. Meu coração acelerou na mesma hora. Eu não esperava que ele estivesse ali, comigo.

— Victor… — sussurrei, ainda atordoada. Será que estou sonhando, ou ele realmente está aqui?

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