ELISA RIVER.
Graças a Deus, eu recebi alta daquele hospital. Ficar vinte e quatro horas lá estava me enlouquecendo. Eu não nasci para ficar parada, deitada numa cama. O médico e as enfermeiras estavam o tempo todo à minha volta, verificando se eu estava bem. Estranhei no começo, mas entendi quando soube que Victor era o dono daquele hospital. Eu nem sabia que ele era dono daquele hospital e de vários outros.
E, falando em Victor, eu estou começando a me irritar com essa superproteção. Estou, agora, dizendo a ele que posso andar em vez de ele me carregar, e o infeliz insiste que eu não posso me esforçar. Ele virou um chato grudento. Passou essas vinte e quatro horas vigiando cada respiração que eu dava. Se eu respirava mais fundo, Victor aproximava rapidamente para perguntar o que estava acontecendo.
Uma merda isso. Eu nunca pensei que diria isso, mas estou com saudade do Victor arrogante que nem ligava para mim. Esse novo é um pé no saco.
— Victor, me coloque no chão. Posso andar — falei, já sem paciência.
— Não. Nada de esforço. Vou te levar até o quarto para descansar — respondeu firme.
Revirei os olhos e disparei:
— Eu não vou para o quarto. Meu corpo está doendo de ficar deitada. Quero ficar aqui na sala, no sofá, e caminhar um pouco pela casa.
Mal me deixou terminar e já foi falando:
— Nem pensar. O médico foi claro: repouso.
— Ele disse repouso relativo. Nada de estresse, esforço físico, carregar peso e sexo. Não repouso absoluto. Então posso caminhar. E você está começando a me estressar — respondi, impaciente.
Ele bufou e me levou até o sofá, me colocando sentada.
— Está bem. Mas nada de subir essa escada sozinha. Me chame quando quiser ir para o quarto.
Ia retrucar, quando ouvi um choro conhecido.
— Essa é minha filha chorando? Onde ela está? Quero vê-la — falei apressada, preocupada e morrendo de saudade da minha pequena.
Nesse momento, o choro ficou mais alto, e a senhora Abigail surgiu com Melissa nos braços. Ela estava bastante estressada no colo da avó.
— Minha filha, amor da mamãe… eu estou aqui. Me dê minha pequenininha — falei, estendendo os braços.
— Não, Elisa. Nada de peso — falou Victor imediatamente.
— Não seja exagerado. A Mel nem pesa muito. Ela é pequena e leve. E você não vai me impedir de pegar minha filha nos braços e acalmá-la — decretei. Victor bufou, contrariado.
Melissa parou de chorar ao ouvir nossas vozes. Victor se aproximou da mãe dele e pegou Melissa, que parou de choramingar assim que viu quem estava lhe pegando.
— Oi, filha. Por que está chorando? Papai e mamãe chegaram — disse suave e carinhoso.
Aquilo me deixou surpresa. Melissa parou de chorar e o olhou com atenção. Levantei-me para pegá-la, mas Victor falou imediatamente:
— Não se levante. Se quiser pegá-la, será sentada.
Bufei e me sentei de novo. Olhei para dona Abigail e Átila, e os dois tinham uma expressão divertida no rosto. Revirei os olhos, obedecendo aquele chato.
Só espero que ele não fique assim pelos oito meses que faltam da gestação. Mel foi entregue nos meus braços e se aconchegou imediatamente a cabeça em meu peito, ficando quieta e calma.
— Já que resolvemos aqui, eu vou para o meu escritório. Qualquer coisa, mande me chamar. Ou é só gritar que eu venho. Vou deixar a porta aberta. Ou você e Melissa podem ir ficar no escritório comigo enquanto eu trabalho — disse tranquilo.

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