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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 83

VICTOR BALTIMOR.

Eu não gostei nada da notícia. Assim que as palavras saíram da boca de Pablo, senti meu corpo inteiro enrijecer. Afonso. Aquele maldito havia conseguido sair da cadeia. Meu maxilar se contraiu, e por alguns segundos fiquei em silêncio, tentando conter a raiva que subia como um incêndio dentro de mim.

— Como isso aconteceu? — perguntei, frio. — Pensei que ele ficaria mais algum tempo preso.

Do outro lado da linha, Pablo suspirou antes de responder, como se já esperasse a minha reação.

— Ele conseguiu subornar um juiz — disse, direto. — Minhas fontes afirmam que Afonso precisou vender alguns imóveis para levantar o dinheiro. Parece que o partido virou as costas para ele, assim como o próprio pai. Ele está praticamente arruinado e sem apoio político.

Fechei os olhos por um instante, passando a mão pelo rosto.

— Mesmo assim, continua sendo um estorvo — acrescentei, irritado.

— Concordo — respondeu Pablo. — É alguém que devemos manter sob vigilância constante.

Abri os olhos, sentindo o velho instinto de estrategista assumir o controle. Raiva não resolvia nada. Planejamento, sim.

— Então ele conseguiu alguém para ajudá-lo — falei, com a voz controlada. — Quero que reúna todas as provas dessa transação com o juiz. Cada detalhe. Depois disso, faça uma denúncia anônima e jogue tudo na internet. Quero que esse caso seja revelado de uma forma que ninguém consiga abafar.

Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Eu sabia que Pablo estava pensando na melhor maneira de cumprir minha ordem.

— Entendi, senhor.

— Quero adicionar mais um crime à ficha de Afonso — continuei, sem hesitar. — E derrubar esse juiz corrupto. Não posso correr o risco de ele me atrapalhar no futuro, caso Afonso resolva pedir novos favores. Esse tipo de gente faz qualquer coisa por uma boa quantia de dinheiro.

— Farei como disse — garantiu Pablo.

— Perfeito — respondi. — E me mantenha informado sobre tudo. Quero que você monitore Charlotte e a situação dela também. Cada movimento. Cada tentativa do pai dela de tirá-la da cadeia.

Quem sabe eu me livre dela para sempre, quem sabe sem apoio, ela finalmente mofe numa prisão e eu finalmente possa viver em paz, ao lado da minha família. Pois quanto mais tempo Charlotte ficar presa, mais tempo, minha família estará segura.

— Cuidarei disso imediatamente — respondeu ele, sem hesitar.

— Perfeito. Tenha um bom domingo, nos vemos amanhã — finalizei.

Encerrei a ligação e fiquei alguns segundos parado, encarando a tela apagada do celular. Minha mente já trabalhava a mil, antecipando cenários, riscos e movimentos. Eu protegeria minha família a qualquer custo.

Foi então que uma voz soou atrás de mim, calma demais para aquele momento.

— Então você pretende fazer uma caça às bruxas… e não me chamou?

Meu coração deu um salto. Virei-me lentamente, sentindo a tensão tomar conta do ambiente.

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