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A OBSESSÃO DO PRIMEIRO-MINISTRO PELA BABÁ INSOLENTE. romance Capítulo 97

ELISA RIVER.

A escuridão foi se dissipando lentamente, como se alguém estivesse abrindo uma fresta de luz dentro da minha cabeça. Sons confusos chegaram até mim primeiro. Vozes sobrepostas, apressadas, tensas. Um falatório que me deixou ainda mais desnorteada.

— … isso é inadmissível… como deixaram isso entrar na casa… ela podia ter se machucado muito mais…

Abri os olhos devagar, sentindo a cabeça pesada e o corpo inteiro dolorido. A visão demorou a focar, mas reconheci o teto do meu quarto. Minha garganta estava seca, e meu coração disparou quando tentei me mexer.

Virei o rosto com esforço e vi todos ali. Senhora Abigail, em pé ao lado da cama, visivelmente furiosa. Átila próximo à porta, parecia tenso. Ceci sentada na poltrona, com o rosto pálido. E o doutor Walter ao lado da cama, anotando algo, num bloco de receita.

Senhora Abigail explodiu.

— Isso é um absurdo! — disse, com a voz firme e tomada de raiva. — Como um pacote daqueles conseguiu entrar nesta casa? Como deixaram aquilo chegar até a Elisa?

Átila respirou fundo antes de responder.

— Senhora, o pacote chegou como tantos outros. Os seguranças, pensaram que foi enviado pelo senhor Victor. Foi passado pelo detector, não havia explosivos nem metais. Não foi identificado risco imediato. Por isso não foi aberto.

— Sem risco imediato? — Ceci se exaltou, incrédula. — Isso é incompetência! Uma falha grave! A Eli poderia ter perdido o bebê por causa do estresse… e pela queda!

O mundo pareceu parar.

Meu bebê.

Arregalei os olhos, sentindo um gelo percorrer meu corpo inteiro.

— Meu bebê… — sussurrei, com a voz falhando.

Tentei me erguer, o desespero tomando conta de mim.

— Meu bebê! — falei mais alto, chamando a atenção de todos. — Ele está bem? Eu desmaiei… eu caí.

— Ela acordou — ouvi Átila dizer.

— Graças a Deus — murmurou Ceci, levantando-se num salto e se aproximando de mim.

O doutor Walter se aproximou imediatamente, colocando a mão em meu ombro com firmeza, porém com cuidado.

— Ele está bem, Elisa — disse rápido, num tom calmo, porém seguro. — Não precisa se desesperar. O bebê está bem. Mas você precisa se acalmar agora. Qualquer agitação pode prejudicar a gestação.

Senti as lágrimas escorrerem sem que eu conseguisse conter. Levei a mão à barriga, ainda sentindo um leve incômodo por causa do tombo.

— Graças a Deus… — murmurei, chorando de alívio.

— Victor… — falei assim que atendi.

Do outro lado da linha, ouvi a respiração dele pesada, sua voz carregada de preocupação.

Foi bom ouvir a voz dele. Isso me acalmou um pouco. Victor estava furioso, eu podia sentir pela forma como falava, mas tentava parecer calmo comigo. Ele queria voltar, eu disse que não precisava. Não queria que ele largasse tudo por minha causa.

Mentira. Eu queria, sim, ele aqui comigo. Mas não seria justo com ele. E Charlotte venceria, pois saberia que estava afetando a vida dele. Não podíamos deixar isso acontecer.

Então, lutando contra minha vontade de tê-lo aqui, ao meu lado, consegui convencê-lo a manter a viagem.

Ele me fez prometer que não sairia de casa. Ouvir que eu, Melissa e o bebê éramos importantes para ele me tocou profundamente. Victor estava realmente mudado.

Quando encerramos a ligação. Fiquei olhando para o celular por alguns segundos, tentando recuperar o fôlego.

Do outro lado do quarto, a senhora Abigail me observava em silêncio, com uma expressão de satisfação.

Foi então que notei o que parecia que todos já sabiam:

Eu havia me apaixonado por Victor. Meu coração deu um salto no peito.

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