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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 11

Enzo permanecia imóvel junto à janela, o olhar perdido em algum ponto além do vidro.

A luz tímida do abajur projetava sombras inquietas que pareciam ganhar vida, deslizando e se contorcendo sobre seu rosto. Era como se aquelas formas etéreas traduzissem, em sua dança silenciosa, o turbilhão de emoções que ele mantinha trancado dentro de si, preenchendo o quarto com uma tensão quase palpável.

A camisa preta, desabotoada, caía suavemente sobre o peito, revelando a firmeza esculpida de sua pele clara, que parecia quase brilhar sob a luz.

Cada detalhe parecia cuidadosamente moldado, uma obra de arte viva. A boxer, ajustada com uma elegância despretensiosa, traçava as linhas de sua masculinidade com uma sobriedade que não precisava de adornos para impressionar, como se a simplicidade fosse, por si só, uma declaração de força e confiança.

Ele não se moveu de imediato quando ela entrou. Permaneceu imóvel, os olhos fixos nela, carregando uma expressão que oscilava entre o vazio e a indiferença.

Era como se aquele instante não passasse de uma formalidade, uma peça mecânica em um jogo meticulosamente planejado, onde emoções eram descartáveis e cada gesto, uma cláusula silenciosa de um contrato gélido e desprovido de alma.

Com um gesto seco, ele apontou para a cama, deixando claro que não havia espaço para palavras ou hesitações. Diferente das poucas vezes em que se encontraram, Enzo parecia ainda mais distante, um homem que carregava o peso de um papel imposto, desprovido de qualquer traço de afeto.

Dayse prendeu a respiração, o coração apertado por um turbilhão de medo e revolta.

Como alguém podia ser tão frio, tão alheio ao impacto de suas ações? Tratá-la como se fosse apenas uma ferramenta, um recurso descartável, um simples meio para alcançar seus próprios objetivos.

Ela, que não pedia muito, apenas ansiava por uma convivência tranquila, por um mínimo de respeito mútuo. Mas, diante daquela indiferença cortante, sentiu-se despedaçada, como se sua existência tivesse sido esvaziada de qualquer valor. Era como se, aos olhos dele, ela não passasse de um eco distante, algo que podia ser ignorado sem remorso.

Dayse avançou lentamente até a beira da cama, cada passo carregando o peso de algo invisível, e se deixou cair ali, como quem busca um porto seguro em meio à tempestade.

O silêncio que se seguiu foi quase insuportável, denso como uma neblina que sufoca. Ele preenchia o quarto com uma presença opressiva, uma pressão invisível que parecia esmagar tudo ao redor. Dayse sentiu-se pequena, como se estivesse diante de uma muralha de gelo, fria, impenetrável, indiferente à sua existência.

Com um último suspiro, pesado e resignado, ela deixou cair as barreiras que ainda a protegiam.

Cada camada de resistência desfeita era como um pedaço de si mesma que se despedia. Finalmente, deitou-se: o corpo exposto, vulnerável; a alma… em algum lugar distante, protegida por uma fortaleza que ninguém parecia capaz de alcançar.

Ele avançava com uma lentidão quase torturante, cada passo ecoando em seus ouvidos como o estrondo de um trovão distante, mas implacável. O coração de Dayse disparava, desordenado, como se tentasse acompanhar o peso daquela aproximação inevitável. Seus punhos se fecharam com uma força desesperada, como se, ao apertá-los, pudesse segurar a dignidade que escorria por entre seus dedos, desafiada pela crueldade sufocante daquela cena.

O pânico começou a apertar seu peito, uma sombra crescente que ameaçava engoli-la por completo. Era a sua primeira vez, um segredo guardado com cuidado, e ele não fazia a menor ideia do peso que aquilo tinha para ela. Enzo, com seus olhos frios e predatórios, aproximava-se como um animal, impaciente e impiedoso.

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