Um nó se formou em sua garganta, mas ela se recusou a ceder. Manteve-se firme, a determinação queimando silenciosamente por dentro. Precisava ser forte, mesmo que tudo em seu corpo gritasse para fugir, para escapar daquela prisão invisível que a aprisionava.
Os olhos de Enzo deslizaram pelo corpo de Dayse, carregados de uma frieza que parecia cortar o ar entre eles. Ela desviou o olhar, virando a cabeça com um movimento hesitante, enquanto mordia o lábio inferior, tentando conter a tempestade de inseguranças que rugia em sua mente.
Cada pensamento parecia ecoar mais alto, mais cruel. Então, os dedos dele tocaram seus ombros, firmes, mas com uma suavidade que parecia contradizer a intensidade daquele momento. O toque desceu lentamente, como se desenhasse um mapa invisível em sua pele, despertando sensações que ela não sabia que estavam ali.
Quando as mãos dele chegaram ao ventre, um arrepio profundo a atravessou, espalhando-se como um fogo gelado que queimava e congelava ao mesmo tempo, deixando um rastro de emoções que ela não conseguia nomear.
Ao chegar às coxas, um misto de tensão e expectativa apertou seu peito, tornando a respiração mais difícil.
Com um movimento firme, ele afastou as pernas dela para os lados e se posicionou por cima. Nos olhos de Enzo havia uma urgência silenciosa, como se o tempo fosse um inimigo invisível a ser vencido, e ele não pretendia prolongar aquele instante.
Dayse sentia o som da própria respiração ofegante ecoar em seus ouvidos, entrelaçado ao silêncio pesado que os envolvia. Queria gritar, fugir, mas sabia que não havia escapatória. O coração martelava forte no peito, e o nervosismo a fazia prender a respiração involuntariamente, como se o ar pudesse escapar junto com sua coragem.
Enzo percebeu, num instante quase imperceptível, que ela era virgem. O olhar dele vacilou por um breve segundo, como se uma sombra desconhecida cruzasse sua mente — um lampejo de arrependimento? Vergonha? Pena? Não, nada disso. Era algo mais profundo, uma dissonância inquietante que o desconcertava.
A mulher fria e calculista que ele imaginara estar diante de si, movida apenas por interesse, agora sangrava, exposta em toda a sua vulnerabilidade.
Foi ela mesma quem escolheu esse caminho. Ela assinou aquele contrato sabendo o que a esperava. Ela vendeu seu corpo, seu útero em troca de uma vultosa quantia. Essas memórias ecoavam em sua mente, repetidas como um mantra rígido, tentando sufocar qualquer resquício de dúvida que ameaçasse se infiltrar.
“Ela escolheu,” ele pensava, mas a hesitação insistia em rondar seus pensamentos. Antes que pudesse crescer, ele a trancou numa cela invisível, afastando-a com um suspiro profundo, sentindo o ar preencher seus pulmões.
Então, com o semblante endurecido, não aliviou para ela, continuou o que havia vindo fazer, sem qualquer cuidado a mais, tentando se convencer de que não havia espaço para sentimentos naquele momento.
O corpo dela tremia levemente quando tudo acabou. O ato foi rápido, doloroso, desprovido de qualquer emoção, nada parecido com a idealização que fazia para a sua primeira vez. Sentiu apenas dor e vergonha — mas não chorou, não gritou, não disse uma palavra.
Não houve violência explícita, apenas um silêncio cortante e uma precisão quase clínica, como se cada movimento fosse parte de um protocolo frio e calculado.
Enquanto tudo acontecia, a mente de Dayse se afastou, perdida em um refúgio distante. Viu-se criança novamente, deitada na cama do orfanato, os olhos fixos no teto alto. Pensava na chuva que caía lá fora, nas nuvens que se espalhavam pelo céu, no desejo de voar livremente pelo azul infinito.
Enzo levantou-se abruptamente, caminhou até a poltrona e vestiu as calças com a mesma precisão de quem encerra uma reunião de negócios. Ajustou a camisa e abotoou os punhos com meticulosidade, sem jamais olhar diretamente para ela. Em um murmúrio seco, disse:
— Obrigado pela sua colaboração — disse Enzo, a voz seca, sem qualquer traço de calor.
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