“Cada gesto meu te alcança. E te envolve. De certo modo. Te liberta e te devolve”
(Marisa Monte, Infinito Particular)
Enzo deu um passo hesitante em sua direção, talvez buscando algo que nem ele sabia nomear —redenção, compreensão ou controle, quem sabe.
Mas Dayse, determinada a não ser derrotada, o afastou com toda a força que ainda pulsava em suas veias.
A firmeza em suas palavras era um escudo, uma barreira para proteger o que restava de si. Por um instante, o silêncio entre eles pesou mais do que qualquer palavra, um grito mudo que reverberava pelo ambiente.
Não era apenas uma negativa ou um sinal de exaustão; era uma declaração, uma decisão meticulosamente arquitetada.
Dayse não recuaria. Não mais.
O tempo de concessões havia ficado para trás.
Mesmo com os braços vazios, carregava dentro de si o peso e a força de todos os quatro.
Ele parou, atônito, encarando-a como se estivesse diante de uma estranha... Quantas faces tinha essa mulher?
O que Enzo não sabia era que, diante dele, não estava apenas uma mulher. Estava uma mãe em guerra. Uma fortaleza erguida sobre as ruínas da própria dor.
Cada cicatriz, cada perda, cada pedaço arrancado de sua alma se transformara em aço, em fogo, em resistência. Ela lutaria até o último resquício de si mesma. Porque a única coisa mais feroz do que a dor é o amor de uma mãe.
E Dayse já não tinha medo de sangrar por aqueles que chamava de seus.
Ela precisava afastá-lo, e rápido. Cada segundo era crucial. Precisava de tempo, de uma saída daquela mansão sufocante, de uma chance para garantir que seus outros três filhos continuassem seguros e invisíveis ao mundo dos Bellucci.
— Senhor Bellucci, você já tem o seu herdeiro! Agora saiam daqui, todos vocês — gritou, a voz trêmula, carregada de uma dor que parecia rasgar sua alma. Lágrimas ameaçavam cair, mas ela as conteve.
— Eu preciso descansar... foi um parto muito difícil.
Enzo apertou os punhos com força, os nós dos dedos ficando brancos. Seus olhos, brilhantes, transbordavam uma emoção crua e confusa, um turbilhão entre mágoa, raiva e algo que ele não conseguia nomear.
Ele olhou para o bebê em seus braços, tão pequeno e frágil, e depois para Dayse, como se buscasse respostas em um rosto que já não reconhecia mais.
— Interesseira — murmurou, cada sílaba carregada de um desprezo cortante, um veneno que parecia se espalhar pelo ar.
— É isso que você é? Só quer o dinheiro, não é mesmo?
A acusação veio como um golpe. Fria. Precisa. Irremediável.
— Saiba que, agindo assim, nunca mais verá seu filho.
O tom era definitivo, cruel.
— Meu filho não merece uma mãe assim.
O silêncio que veio depois foi pior do que qualquer grito.
Era um julgamento. Uma sentença.
E, no fundo, ele sabia o impacto que aquelas palavras causariam.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Pele Que o CEO Não Esqueceu