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A Pele Que o CEO Não Esqueceu romance Capítulo 66

“Os encontros mais importantes já foram combinados pelas almas antes mesmo que os corpos se vejam.” — Paulo Coelho

...

Gael voltou à mesa com a respiração entrecortada, lutando para esconder a adrenalina que ainda corria pelo seu corpo. Cada músculo parecia vibrar de tanta tensão, mas ele sabia que precisava manter a calma. Já tinha feito a sua parte: um tropeço cuidadosamente ensaiado que chamou a atenção do segurança, permitindo que Noah entrasse no banheiro sem ser visto. Agora, tudo o que restava era esperar e torcer.

Dentro dele, uma dúvida forte: o que Noah estaria fazendo lá dentro, cara a cara com Theo? Gael tentou se acomodar na cadeira, fazendo uma postura descontraída, como se nada tivesse acontecido. Mas sabia que era inútil; sua mãe o conhecia demais para cair nessa.

— Gael Lancaster, onde você estava? — A voz de Dayse cortou o silêncio como uma lâmina, baixa e firme, carregada de autoridade. Não precisava gritar para ser ouvida. Era mais do que uma pergunta; era um aviso, um lembrete de que ela não aceitava mentiras.

Ele desviou o olhar, incapaz de sustentar o peso daquela pergunta.

— Só fui ao banheiro, mãe — a voz de Gael soou baixa, quase apagada, como se as palavras tivessem perdido força antes mesmo de serem ditas.

Dayse estreitou os olhos, o olhar afiado como uma lâmina.

— Sem a minha permissão? Depois de eu deixar bem claro que ninguém devia sair de perto?

Sua postura era rígida, com os braços cruzados formando uma barreira que parecia intransponível. Não era apenas uma pergunta, era uma acusação, carregada de desconfiança que pesava no ar, como uma tempestade prestes a desabar.

Gael tentou disfarçar, deu de ombros, forçando uma indiferença que nem ele mesmo acreditava. Mas o corpo entregava tudo: os dedos inquietos, o olhar que evitava o da mãe, a respiração hesitante. Ele sabia que qualquer desculpa que inventasse seria ainda mais fraca do que aquela primeira.

Antes que o silêncio se tornasse insuportável, Dante se levantou da cadeira, com a voz firme para cortar a tensão.

— Eu vou procurar o Noah — disse ele.

— Ninguém mais sai daqui! — A voz de Dayse cortou o ar como uma lâmina, clara e imbatível. Com os braços cruzados e o olhar firme, ela deixou claro que a conversa ainda não tinha acabado.

A autoridade nas palavras dela era inquestionável. Por um instante, tudo pareceu parar, como se o ambiente inteiro estivesse preso em uma expectativa silenciosa, marcada pelo medo.

...

Enquanto isso, no banheiro, Noah caminhava de um lado para o outro, os passos ressoando no azulejo frio, como se tentassem acompanhar o ritmo acelerado do seu coração. Cada batida parecia gritar a urgência da situação, misturada com a dúvida que o consumia.

Ele estava prestes a falar com Theo, o irmão que ele ainda não sabia que tinha. Não havia roteiro, manual ou ensaio que pudesse prepará-lo para aquele momento. Era um salto no escuro, e Noah sentia o peso de cada palavra que ainda não tinha coragem de dizer.

Ele fechou os olhos por um momento, tentando organizar seus pensamentos, mas tudo o que vinha à cabeça eram cenários que terminavam em silêncios constrangedores ou em dores irreparáveis. Como começar? Como dizer algo que poderia mudar a vida de ambos para sempre, sem destruí-los no processo?

A ansiedade apertava sua garganta, um nó difícil de desatar. Ele sabia que precisava encontrar as palavras certas, aquelas que pudessem transmitir tudo o que sentia sem ferir ainda mais quem estava ao seu lado.

Theo saiu do reservado com a mesma calma meticulosa, como se estivesse coreografando cada movimento. Seus passos eram firmes, mas sem pressa, como se o tempo estivesse sob seu controle. Ao chegar à pia, abriu a torneira e lavou as mãos com uma precisão quase cirúrgica, gestos tão controlados que pareciam parte de um ritual.

No espelho, seu reflexo o observava: impecável, frio, calculado. A imagem de alguém que exalava domínio total sobre si mesmo. Mas Noah, parado a poucos passos de distância, sabia que reflexos podem enganar. E naquele instante, ele se perguntava se Theo também carregava o peso invisível de algo que nem ele mesmo compreendia ainda.

Quando Theo se virou, seus olhos encontraram os de Noah. Havia algo ali, uma surpresa que ele não esperava. Os olhos de Noah brilhavam, carregando uma tempestade de emoções contidas em um só olhar: nervosismo, esperança, talvez até algo mais profundo. Eles estavam marejados, como se guardassem palavras que não conseguiam ser ditas, mas que gritavam em silêncio. Por um instante, o controle absoluto de Theo pareceu vacilar.

Foi como se o tempo tivesse parado por um momento, e o mundo prendesse a respiração. Nenhuma palavra foi dita. Então, movido por uma força que vinha lá do fundo, Noah atravessou a distância entre eles e o envolveu em um abraço apertado. Lágrimas escorriam livremente pelo seu rosto, carregando uma sinceridade pura e incontida.

Theo não retribuiu o abraço, mas também não se afastou. Ele ficou ali, permitindo-se ser envolvido por aquele calor inesperado, por aquele afeto que parecia surgir do nada. Ainda assim, algo dentro dele não achou estranho.

Seu instinto, sempre atento, percebeu cada detalhe daquele momento.

A intensidade, a vulnerabilidade, a verdade. E, por mais inexplicável que fosse, Theo sentiu algo se encaixar dentro de si, como se aquele abraço fosse uma peça que ele nem sabia que estava faltando. Como se o abraço viesse de um lugar esquecido — ou talvez nunca conhecido, mas ainda assim profundamente seu.

Do lado de fora, a voz firme do segurança quebrou o silêncio, interrompendo a magia do instante.

— Senhor Theo? Está tudo bem?

Theo respirou fundo, como quem volta de um lugar distante. Lentamente, deu um passo atrás, mas seus olhos continuaram fixos em Noah, carregando uma curiosidade quase reverente e uma ternura que parecia surgir do nada.

Sem dizer uma palavra, com um gesto ao mesmo tempo decidido e delicado, pegou o celular do bolso e o colocou nas mãos do menino.

— Eu vou te ligar — disse simplesmente.

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