Entrar Via

A Redenção do Ogro romance Capítulo 70

Bernardo Thomson

Eu já enchi a cara. Confesso!

Me incomodou demais ver Camila com Daniel a noite toda. E todas as vezes que tivemos que estar juntos, foi um martírio.

Meu pau estava tão dolorido depois das fotos, que fui obrigado a levar Melissa para uma moita no jardim do clube. Fiz ela me chupar até aliviar.

O que não adiantou de porra nenhuma.

Agora estou aqui, no meio de um monte de gente dançando com a tentação, em pessoa. Tava na cara que eu ia bancar o idiota e beijar essa boca que desde a igreja, estava me implorando para ser beijada.

Segurar na cintura e sentir a quentura de seus seios pressionando o meu peito, mesmo estando com diversas roupas, foi o bastante para eu fazer isso.

Agora o auge da questão foi ver Daniel vindo em minha direção pronto para roubar ela de mim, depois de ter me confessado que o que eles tinham era especial.

Inferno de vida!

Não lembrava que era tão bom beijá-la.

A levanto e a abraço com força até que ela se dá conta que estamos no meio da pista com muitas pessoas nos olhando.

Ela espalmou as duas mãos no meu peito e se afastou.

Seus olhos estão limpos, como se fosse águas cristalinas num dia de inverno. Sua boca está borrada do batom, que fiquei a noite toda desejando retirar.

Eu coço meu lábio com o polegar e sorrio sarcasticamente para ela. Me abaixo, chegando a minha cabeça bem perto dela e digo:

-Tô vendo, o quanto de cumplicidade que você compartilha com o Daniel…

Saio andando e quando olho, ele está parado na minha frente com as duas mãos dentro do bolso da calça. Faço questão de passar por ele e esbarrar no seu ombro. Quero ver o que ele vai fazer.

Tô pra briga hoje! Doido pra quebrar aquele nariz. Mas ele não faz nada, nem olha para trás. Vai em direção a ela e a pega pela mão levando para o lado dos banheiros.

Gosta de ser corno, não é?

-Porque fez isso, Bernardo?

Olho para frente e dou de cara com o japonês.

Franzo a testa e digo:

-O quê?

-Porque agarrou a Camila na frente de todo mundo?

-Não é da sua conta…

Saio andando em direção a mesa para pegar o meu casaco e a minha submissa. Como eu previa, ela continua no mesmo lugar que eu mandei ela ficar. É assim que eu gosto. Obediente!

-Vamos Melissa. Já está na hora...-Paulo me segura pelo ombro e me olha.-Nem vem... Fiz porque me deu vontade. A noite toda foi uma tort…

-Cala a boca. - ele fala olhando para a Melissa. Foda-se! Não tenho um contrato com Melissa e não devo fidelidade pra ninguém, mas o japonês é todo certinho.

Sai me arrastando para longe de Melissa e me encosta numa pilastra.

-Eu fiquei a noite toda tomando conta do seu rabo, pra você não fazer uma merda. Sabe porque? Arthur e Duda mereciam um casamento perfeito! Na primeira vez que eu me distraio você faz isso e arranja um briga com Daniel?

-Não arrumei nada...Ele gosta de ser corno. Nem se importou com o beijo. Você está se importando mais que ele.

-Ele sabe que se arrumasse uma briga aqui com um dos padrinhos ia pegar mal. A nossa sorte é que ele está na dele. Porque se você fizesse isso com a minha mulher eu te arrebentava.

Passo a mão pelo cabelo e bufo.

Foi imaturo? Foi... Muito... Acho que até pra mim... Mas eu estava no meu limite!

-Japonês... É mulher dele mesmo?

Paulo suspira, tira o paletó e arregaça as mangas. Parece que eu tirei o japonês do sério.

-Não sei... A noite toda eles se trataram com carinho. Mas não como namorados, sabe? Só com carinho. Ele tá a fim, com certeza... Mano você tem que sair dessa... Não é com a Melissa que você vai conseguir.

Eu bufo.

-Tá falando isso porque está com medo de eu fazer um contrato com ela.

-Cara... Eu nem estou preocupado com isso... Provavelmente quando Sabrina tiver nosso filho, não vamos mais participar de compartilhamentos. Tudo leva a crer que não. Não sei se vamos sentir falta, mas tô falando de você... Vai fazer um contrato com uma pessoa que você não sente nada?

-Quem disse que eu não sinto? Rola química, tesão... Isso é bom o bastante para propor um contrato.

-E cumplicidade, Bernardo?

-Isso com o tempo se ajeita. Camila não vai voltar para mim. O que posso ter dela, é isso que tive hoje. Beijos roubados. Porque nem amizade ela quer comigo.

-Duda e Sabrina não vão querer conviver com Melissa.

-Sinto muito cara... Então eu vou ter que arranjar outros amigos para compartilhamentos. -quanto mais cedo eles se conformarem com isso, melhor. -Paulo, nós não estamos mais na mesma vibe... Vocês cresceram... Casaram... E eu ainda sou o cara que vai ter uma submissa e que vai continuar gostando de compartilhar ela. São escolhas que a vida dá... Eu já fiz minhas escolhas... Como Camila fez a dela…

-Ok! São suas escolhas. Só não faz merda!

-Avise ao Arthur que já fui... Vou sair de fininho…

De repente me cai a lucidez. E se alguém gravou ou tirou foto do beijo.

Eu não me importo, mas não queria ver Camila exposta por causa disso. Não mesmo!

Que merda!

-Você estava me espionando, viu se alguém gravou ou tirou foto?

-Agora você está preocupado?

-Um pouco…

-Não Bernardo... Ninguém fez nada disso, mas outras pessoas viram, óbvio. Porém, acho que provas, ninguém coletou.

-Ok!

Volto para a mesa e deixo japonês sozinho na pilastra. Ainda sinto o gosto da Camila na minha boca. Que delícia!!!

Alguém vai ter que se virar nos trinta hoje para me satisfazer. Pena que não vai ser meu passarinho.

*********

Camila Coelho

-Me olho no espelho, já com o batom retocado. Que merda eu fui fazer!

Duda e Arthur passarão quinze dias na Europa. O Arthur uniu o útil ao agradável. Como ele tem que conhecer o laboratório do projeto de Willian na Suíça, aproveitou para levar Duda.

Eu a abraço apertado.

-Aproveitarei... E vc se cuida! Nos vemos na volta.

-Com certeza!

Me despeço de Sabrina e saio do banheiro em direção a minha casa.

*********

-Obrigada por ter me acompanhado Daniel.

Estamos no portão da minha casa. Ele trouxe eu e Fernanda. Viemos conversando sobre a festa no caminho, e pelo o que eu pude entender ele nem ficou chateado com a cena que Bernardo fez. O que dou graças a Deus. Ele já havia feito um favor de me acompanhar a festa.

-Pode me chamar sempre. Adorei a noite e companhia.

-Desculpe mais uma vez.

-Pelo o que?

-Pela cena do Bê.

Ele suspira.

-É, essa parte não foi agradável de ver.

-Daniel eu... Eu…

Ele põe o dedo nos meus lábios, selando eles e me impedindo de falar.

-Eu sei bem o que você vai falar. Então, eu sei esperar…

-É sobre isso... Não espere... Meu coração está destruído. Nem tão cedo eu me envolverei com outra pessoa. Então, se você tem planos, desista. Eu não quero te machucar.

Ele sorri.

-Tenho trinta anos Camila. Não sou um moleque. E não é só atração... Eu gosto de nossa amizade, gosto de estar com vc ... De tomar café com você às terça. Então pra mim não é martírio nenhum ser seu amigo.

-Mas esse envolvimento sempre será uma amizade.

-Eu sei... E por enquanto está tudo bem... Quando eu achar que está demais... Você vai ser a primeira a saber. Ok?

Eu sorrio.

-Ok!

-Suba... Sei que Fernanda está atrás da porta te vigiando... Mas vou ficar esperando você entrar.

Eu sorrio.

-Boa noite!

-Boa noite!

Chego mais perto dele e pela primeira vez dou um beijo em sua bochecha. Ele sorri e eu subo para a minha casa. Pelo menos eu tentei mais uma vez afastar ele de mim. Então minha consciência está tranquila!

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Redenção do Ogro